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Em palestra-performance, Grada Kilomba desfaz a ideia de conhecimento “universal”

"Há esta anedota: uma mulher negra diz que ela é uma mulher negra. Uma mulher branca diz que ela é uma mulher. Um homem branco diz que é uma pessoa", contou a portuguesa Grada Kilomba num tom doce de voz que transmitia tanta tranquilidade quanto segurança na performance palestra "Descolonizando o Conhecimento", apresentada durante a MITsp, no

Qual a elaboração necessária para distanciar evento de acontecimento?

Crítica de 100% São Paulo, por Beth Néspoli do Teatrojornal – Leituras de Cena/DocumentaCena. O grupo suíço-alemão Rimini Protokoll, integrado pelos artistas Stefan Kaegi, HelgardHaug e Daniel Wetzel, atua numa vertente do teatro contemporâneo cujas criações se dão a partir de dispositivos que abrem um campo de desestabilização entre o ficcional e o real. Dispositivos, no panorama

Quantas notas tem um ator? A língua de quem fala em jazz

Crítica a partir do espetáculo An Old Monk, por Soraya Belusi (Horizonte da Cena /DocumentaCena) “Dance, dance, otherwise we are lost” (Pina Bausch) Há quem fale em alemão, inglês, holandês, espanhol, japonês, russo, português e até todas elas ao mesmo tempo. Mas alguém que consegue falar em jazz, só conheço mesmo Josse de Pawn. Fomos

Como invadir (A)polônia?

Crítica de Renato Mendonça (Agora Crítica Teatral) para (A)polônia Existem várias Polônias: aquela que saiu da órbita soviética para colocar o operário Walesa no poder, aquela que tolerou o antissemitismo durante a II Guerra Mundial, aquela que patrioticamente lutou para impor-se frente à Rússia e à Alemanha. Há a Polônia dos que resistiram aos nazistas,

Poéticas do texto espetacular

Texto sobre o espetáculo A Tragédia Latino-Americana e A Comédia Latino-Americana – Primeira Parte: A Tragédia Latino-Americana, escrito por Valmir Santos (Teatrojornal/DocumentaCena) A compilação em prosa, poesia, conto, letra e até HQ faz com que tudo seja processado como texturas cênicas em A Tragédia Latino-Americana, navegação ficcional do diretor Felipe Hirsch e dos criadores do

Congolês compartilha carga para se libertar da dor

Crítica do espetáculo “A Carga”, por Miguel Arcanjo Prado (www.miguelarcanjoprado.com) Faustin Linyekula surge despido de aparatos cenográficos no intuito de falar diretamente ao seu público em A Carga. Chama a atenção no esforço dele em falar português e se comunicar com a plateia brasileira sem atravessadores. O artista no palco parece querer abrir-se e revelar-se

Apolo não!

Texto sobre o espetáculo “(A)POLÔNIA”, escrito por Patrick Pessoa (Agora/Questão de Crítica) Escrever no calor da hora sobre um espetáculo com a complexidade de (A)polônia, de Krzysztof Warlikowski, é uma temeridade. As múltiplas linguagens trazidas à cena (música, teatro, vídeo, instalação, performance, stand up, conferência acadêmica, manipulação de marionetes), o manancial de referências mais ou

Nem deuses nem bestas

Crítica a partir do espetáculo (A)Polônia, por Soraya Belusi (Horizonte da Cena/DocumentaCena) Os heróis e deuses gregos não são mais suficientes para explicar a condição trágica do humano. Não irão nos salvar nem nos absolver, embora insistamos em delegar a eles o motivo de nossa condenação. Mas se já não espelhamos nossos atos nos dos

De terra e ar

Crítica a partir do espetáculo A Carga, por Maria Eugênia de Menezes Teatrojornal/DocumentaCena) Toda linguagem nasce de um esforço, por natureza, inútil. É por saber-se incompleto que o homem deseja. A falta nos move, nos empurra para além do silêncio e da imobilidade. Qualquer palavra, não importa quão bem escolhida, será incapaz de dizer completamente

A Carga, por Ruy Filho

Crítica sobre o espetáculo A Carga, por Ruy Filho (Agora Crítica Teatral) O quanto nossas origens reverberam em nós, o quanto sobram e permanecem, e por permanecerem o quanto reconhecemos de nós mesmos nessa relação? São perguntas aparentemente impossíveis de responder, pois há nelas tamanha subjetividade que as variantes se revelam infinitas e incompletas. Apenas

Uma conversa sobre narrativa no teatro

Ao abrir a programação de Reflexões Estético-Políticas  na mesa sobre A Narrativa no Teatro Contemporâneo, ontem, no Itaú Cultural, o crítico e professor Edélcio Mostaço criticou o suposto domínio do drama sobre a concepção de teatro como uma visão eurocêntrica que ignora as demais teatralidades de matrizes diversas na África, América do Sul e Ásia, por exemplo.

A quem servimos enquanto rimos?

Crítica sobre o espetáculo A Tragédia Latino-Americana e a Comédia Latino-Americana. Primeira parte: A Tragédia Latino-Americana, por Daniel Toledo (Horizonte da Cena / DocumentaCena) São muitas, decerto, as tragédias latino-americanas das quais se poderia tratar em um espetáculo teatral. São muitas, de igual modo, as perspectivas sob as quais se pode narrar essas tragédias, que decerto

A guerra do discurso

Crítica sobre o espetáculo A Tragédia Latino-Americana e a Comédia Latino-Americana. Primeira parte: A Tragédia Latino-Americana, por Renato Mendonça (Agora Crítica Teatral)  Se há algo em que a América Latina esbanja são tragédias. Só escolher: submissão cultural aos grandes centros, condenação a abastecer o Primeiro Mundo com commodities, malfeitos do poder público, desigualdades sociais que

A segunda vida

Crítica sobre o espetáculo An Old Monk, por Patrick Pessoa (Agora Crítica Teatral) Ele tinha quinze, dezesseis, dezessete anos. Sentia que não pertencia à sua vida, como se tivesse errado de endereço. À sua volta todos dançavam muito, falavam muito, viviam em bando, se divertiam. Contavam sempre as mesmas anedotas: do último porre, daquela viagem de ácido

Sobre Haiti e Brasil, os outros e nós mesmos

Crítica sobre o espetáculo Cidade Vodu, escrito por Pollyanna Diniz (Satisfeita, Yolanda? / DocumentaCena) Uma haitiana canta Abecedário da Xuxa, depois da projeção de um vídeo que registra um militar brasileiro da Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (Minustah) ensinando a música para crianças e jovens do país caribenho. O trajeto que ela

Dimitris Papaiouannou: Como achar o equilíbrio entre o nosso ser material e o etéreo?

No Pensamento em Processo realizado logo após uma das apresentações do espetáculo  STILL LIFE no Sesc Vila Mariana, no dia 6 de março, o diretor grego Dimitris Papaiouannou falou sobre seu processo de criação, neste caso, centrado em investigar como os corpos interagem com os materiais. Um dos pontos iniciais foi a ideia de colocar fumaça dentro de um

Rimini Protokoll: “experienciar o dilema”

No Pensamento em Processo com o coletivo alemão Rimini Protokoll, criador do espetáculo 100% São Paulo, os autores e diretores Helgard Haug e Stefan Kaegi apresentaram ao público presente no Itaú Cultural alguns dos seus projetos cênicos mais importantes, como o Extra World Climate Conference, realizado em dezembro de 2015, na Alemanha. Acostumado a trabalhar com não atores, o coletivo

O silêncio dos haitianos

Crítica do espetáculo Cidade Vodu, por Miguel Arcanjo Prado (www.miguelarcanjoprado.com) A ideia que o brasileiro tem de si próprio sobre ser acolhedor e cordial com os estrangeiros é muitas vezes um autoengano para evitar o aprofundamento na complexidade que requer a aceitação da diversidade. Há duas categorias de estrangeiros desejadas: o de perfil eurocêntrico, colonizador,

A política ainda desperta paixões

Crítica sobre o espetáculo Ça Iia, por Ivana Moura (Satisfeita, Yolanda? / DocumentaCena) A política pulsa. Tensiona nervos, acelera o sangue e diz respeito a todos nós.  Ça ira, espetáculo do francês Joël Pommerat, com a Compagnie Louis Brouillard, conduz o público para o núcleo dos acontecimentos que urdiram a Revolução Francesa. É um estímulo

Ágora contemporânea

Crítica do espetáculo 100% São Paulo, por Michele Rolim (Agora Crítica Teatral) A peça 100% São Paulo se constitui em um bem-vindo paradoxo. A montagem do grupo suíço-alemão Rimini Protokoll (composto pelos artistas Helgard Haug, Stefan Kaegi e Daniel Wetzel) ao mesmo tempo em que se vale de recursos tecnológicos modernos, transformou palco e plateia

Agir em tempos mortos: o teatro e a natureza-morta de todos os dias

Crítica sobre o espetáculo Still Life (Natureza-Morta), por Mariana Barcelos (Questão de Crítica/DocumentaCena) Natureza-morta. Natureza, da biologia, do corpo, organismo. Morta, o que já foi vivo, a concretude no estado físico da matéria, dimensão só apreendida no tempo. Ao manter o olhar para obras categorizadas como natureza-morta, dois traços inerentes ao gênero conduzem a narrativa

Joël Pommerat: “eu não separo as imagens das palavras”

Para o encenador francês Joël Pommerat, as improvisações com os atores ao longo do processo criativo são oportunidades tanto de aprofundar as relações entre os personagens, a partir das perspectivas que cada ator apresenta, quanto de escrever de modo indissociável do espaço cênico. "Dirijo atores, nas improvisações espaciais, em situações muito específicas. A escrita é uma coisa

Cida Bento: “o país tem sofrido uma reação às ações afirmativas”

Após a segunda apresentação de Revolting Music - Inventário das canções de protesto que libertaram a África do Sul, a psicóloga e ativista Cida Bento, convidada a um diálogo transversal com a obra, falou sobre como a sua experiência de recepção lhe trouxe a memória de idas àquele país e dos pontos de contato entre lá

“Uma discussão sobre o destino do homem contemporâneo”

No filme Selma - Uma Luta pela Igualdade (foto), dirigido por Ava DuVernay, há uma cena emblemática na qual as forças reunidas na luta pela afirmação dos direitos dos negros convergem e alcançam sua potência de transformação: a travessia da ponte no caminho até a capital do Alabama, durante as marchas realizadas por Martin Luther King e outros tantos

Voo livre no mundo das fadas

Crítica de Cinderela escrita, por Beth Néspoli (Teatrojornal/DocumentaCena) Fábulas têm origem no inconsciente coletivo e, ao mesmo tempo, atuam sobre o imaginário público. Nelas desejos e temores difusos são nomeados e, traduzidos em comportamentos, submetidos à normatividade de seu tempo. Quando adquirem formas potentes, permanece central a tensão entre as cores sombrias e as luminosas;

Das narrativas no teatro e das narrativas do teatro

Crítica do espetáculo Cinderela, por Daniele Avila Small (Questão de Crítica/DocumentaCena)  Voltar-se sobre si mesmo é procedimento comum ao teatro. Os grandes clássicos, que formam o teatro, são sempre revisitados pelos artistas – dos mais tradicionais aos que trabalham para inventar novas formas. Em certos casos, o que motiva os artistas é a ideia de

O afeto que aprisiona

Texto sobre o espetáculo Cinderela, por Pollyanna Diniz (Satisfeita, Yolanda?/DocumentaCena) Desde criança, quando ouvimos a história da Cinderela, enxergamos a suposta superação como foco da fábula. A garota que era maltratada e humilhada pela madrasta e por suas duas filhas diante da omissão do pai consegue finalmente livrar-se de todo sofrimento quando encontra o seu príncipe