SÁBADO DESCONTRAÍDO

TÍTULO ORIGINAL: Samedi Détente

DIREÇÃO: Dorothée Munyaneza

RUANDA/FRANÇA, 2014 | 1h15min | Classificação indicativa: 16 anos

Samedi Détente ©Jose Caldeira
©Jose Caldeira

6/3, às 21h
7/3, às 21h
8/3, às 18h

Local: Sesc Avenida Paulista

Adquira seu ingresso
PENSAMENTO EM PROCESSO
DIÁLOGO ENTRE MILO RAU E WAGNER SCHWARTZ

Sinopse

Por meio de suas lembranças de infância, a ruandense Dorothée Munyaneza reconta a guerra civil que assolou seu país em 1994, levando ao genocídio de 800 mil pessoas. A artista estava prestes a completar 12 anos quando se viu em meio aos conflitos, e desde então não conseguiu mais ouvir Samedi Détente (algo como Sábado Descontraído, em francês), um programa de rádio que embalava toda a população do país, com músicas de várias partes do mundo. Mas as canções daquela época ainda hoje ressurgem na mente e no corpo da artista, trazendo à tona as lembranças de amigos e da família. No espetáculo, espécie de testemunho cênico, Munyaneza tenta dar conta dos horrores do conflito através dessas memórias afetivas. Narra as histórias de guerra mesclando linguagens do teatro, da dança e da música e trazendo elementos que remetem à jornada de conflitos, como mesas e lonas (que serviam de abrigos contra os tiroteios) e camadas diversas de roupas (seus escudos).

Histórico

Nascida em Ruanda, Dorothée Munyaneza deixou seu país aos 12 anos, durante a guerra civil de 1994. Estabeleceu-se com a família na Inglaterra, onde estudou música na Fundação Jonas e ciências sociais em Canterbury, e logo depois mudou-se para a França, onde desenvolve trabalhos como musicista, autora e coreógrafa. Suas obras partem de acontecimentos reais para capturar seus reflexos na memória e no corpo, no âmbito individual e no coletivo, para dar voz àqueles que foram silenciados. Em 2004, A artista compôs e interpretou a trilha sonora do filme Hotel Ruanda, de Terry George, e seis anos depois lançou seu primeiro álbum solo, gravado com o produtor Martin Russell. Com Samedi Détente, seu primeiro espetáculo teatral, fundou em 2013 a companhia Kadidi, e lançou sua segunda peça, Unwanted, no Festival de Avignon de 2017. Como artista associada do Théâtre de la Ville, em Paris, apresentou com os músicos Benjamin Colin e Daniel Ngarukiye o concerto-performance Woad, em 2019. O próximo trabalho de Munyaneza, MAILLES, irá reunir artistas afrodescendentes de várias partes do mundo e tem estreia prevista para outubro de 2020 em Chaleroi, na Bélgica.

CRÍTICAS

Munyaneza fala e canta, eventualmente pulando sobre uma mesa, semelhante às que ela e os amigos costumavam usar como abrigo, e é acompanhada pela bailarina marfinesa Nadia Beugré e pelo compositor francês Alain Mahé. Seus esforços poderiam dar maior teatralidade ao espetáculo, traduzindo eventos reais em som e imagem viscerais. Em vez disso, mostram como a metáfora pode falhar diante de tamanha atrocidade (…) É quase impossível imaginar um som, um passo, um símbolo que consiga representar os horrores que Munyaneza detalha.

ALEXIS SOLOSKI, The New York Times

Por essa soma de ações elegantes, também por essa incrível cena de dança zouglou (uma cena coreográfica louca e reconfortante) que Nadia Beugré (excelente bailarina marfinense) e Dorothée Munyaneza dissipam sobre o palco, a peça propõe um contraponto íntimo aos livros de história.

ÈVE BEAUVALLET, Libération

Ficha Técnica

CONCEPÇÃO, COREOGRAFIA E DIREÇÃO: Dorothée Munyaneza
ELENCO: Nadia Beugré, Kamal Hamadache e Dorothée Munyaneza
PROVOCADOR: Mathurin Bolze
DESENHO DE LUZ: Christian Dubet
CENÁRIO: Vincent Gadras
FIGURINO: Tifenn Morvan
DIREÇÃO DE PALCO: Frédérique Melin
DIREÇÃO DE SOM: Camille Frachet
DIREÇÃO DE LUZ: Nara Zocher de Sousa
PRODUÇÃO: Compagnie Kadidi, Anahi Production
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Emmanuel Magis, Anahi
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Leslie Fefeu
COPRODUÇÃO: Théâtre de Nîmes – Scène Conventionnée pour la Danse, Théâtre La Passerelle – Scène Nationale de Gap et des Alpes du Sud, Bois de l’Aune-Aix-en-Provence, Théâtre des Salins – Scène Nationale de Martigues, L’Onde – Théâtre Centre d’Art de Vélizy-Villacoublay, Pôle Sud – CDCN Strasbourg, Théâtre Jacques Prévert – Aulnay-sous-Bois, Le Parvis – Scène Nationale de Tarbes, Théâtre Garonne – Toulouse, Réseau Open Latitudes 2
APOIO: Cultural European Programme, Théâtre de Liège, Théâtre de la Ville – Paris, BIT Teatergarasjen – Bergen. Com apoio do Théâtre Le Monfort–Paris, do Friche Belle de Mai–Marseille, da Direção Regional de Assuntos Culturais PACA – Ministério da Cultura e Comunicação, do SACD, Association Beaumarchais, Arcadi Île-de-France, ADAMI e Prefeitura de Paris.

ENTREVISTA
Críticas