ENTRELINHAS

DIREÇÃO: Coletivo Ponto Art

SALVADOR/BA, 2012 | 35min | Classificação indicativa: 18  anos

Entrelinhas ©Ives Padilha
©Ives Padilha

14/3, às 19h
15/3, às 16h

LOCAL: Teatro Cacilda Becker

 
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Pensamento em processo

SinopseNum diálogo entre o passado e o presente, o espetáculo discute a violência contra a mulher e evidencia como a voz da mulher negra é historicamente silenciada dentro de uma sociedade opressora, machista e de mentalidade escravocrata – e que, assim, fomenta a violência. A coreógrafa e intérprete Jaqueline Elesbão costura uma narrativa essencialmente visual, quase sem palavras, que apresenta uma série de imagens e referências históricas (símbolos determinantes à existência feminina). Em cena, a artista traz objetos como uma máscara de flandres – usada durante o período de escravidão brasileiro, para impedir os servos de ingerirem alimentos e bebidas, e lembrada na imagem da serva Anastácia, submetida a sessões de tortura enquanto o artefato lhe cobria a boca. Alternando-se entre as figuras de vítima e algoz, Elesbão também expõe elementos religiosos e indumentárias femininas, como o sutiã e o salto alto, ícones de liberdade e amarra do corpo da mulher.

HistóricoEste é o primeiro trabalho do Coletivo Ponto Art, que desde 2011 se debruça sobre ações culturais afirmativas. O coletivo é formado por Nai Meneses, Anderson Gavião e Jaqueline Elesbão, idealizadora do projeto, bailarina, negra, drag king, produtora e ativista das questões femininas, afro diaspóricas e causas LGBTQI+. Desde sua estreia, em 2012, Entrelinhas passou por festivais como o Cena Brasil Internacional (RJ) e o FIT – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (SP). A pesquisa do espetáculo se desdobrou em outros trabalhos do grupo, como a websérie Vozes sem Medo e o workshop Resiliência do Corpo-História, uma investigação de como a violência histórica social afeta o corpo negro feminino.

CRÍTICAS

A potência vem das imagens que denunciam a violação e o abuso desses corpos. Para isso, o espetáculo apresenta diversas partituras cujas imagens são tão potentes que qualquer fala só viria a sublinhar o que já está posto. A quase ausência de palavras durante o espetáculo também evidencia a tentativa de silenciamento das mulheres ao longo dos séculos. E, principalmente, das mulheres negras que, na hierarquia de gênero, são as que mais morrem e sofrem com a violência doméstica.

MICHELE ROLIM, AGORA Crítica Teatral

Ficha Técnica

COREÓGRAFA E INTÉRPRETE: Jaqueline Elesbão
PRODUÇÃO: Nai Meneses
SONOPLASTIA: Anderson Gavião
ILUMINAÇÃO: Robson Poeta
CONFECÇÃO DE FIGURINO: Luiz Santana

ENTREVISTA
Críticas