CONTOS IMORAIS – PARTE 1: CASA MÃE

TÍTULO ORIGINAL: CONTES IMMORAUX – PARTIE 1: MAISON MÈRE

DIREÇÃO: Phia Ménard

FRANÇA, 2017 | 1h30min | Classificação indicativa: livre

Maison Mere ©️Jean Luc Beaujault
©️Jean Luc Beaujault

6/3, às 21h
7/3, às 21h
8/3, às 18h

LOCAL: Sesc Pinheiros

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Sinopse

O espetáculo foi concebido para a 14ª edição da documenta, realizada em 2017 entre as cidades de Kassel, sede da exposição de arte contemporânea, e Atenas. Partindo dos temas levantados pela mostra – a descentralização da arte, os conceitos de centro e periferia, o papel do artista num mundo em conflito –, a francesa Phia Ménard reflete sobre a identidade e os problemas da Europa de hoje, fazendo um paralelo entre as duas cidades: a alemã Kassel, no “rico norte” europeu, e a grega Atenas, imersa em crises. Sobre o palco, vestida como uma deusa grega futurista, ela se põe a construir uma estrutura de papelão, simples e frágil. Ela remonta ao Plano Marshall (que pretendia reerguer a Europa do pós-guerra), fazendo gestos repetitivos e robóticos nesse esforço de criar uma casa para o continente e seus desabrigados, seus refugiados.

HistóricoA francesa Phia Ménard estudou dança moderna, mímica, atuação e malabarismo. Em 1998, com Le Grain, ela fundou a companhia Non Nova, que busca uma nova forma de trabalhar o malabares, por meio da estrutura cênica e dramatúrgica, e se debruça sobre trabalhos multidisciplinares, com artistas de experiências diversas. O projeto I.C.E. – Injonglabilité Complémentaire des Eléments, pesquisa sobre a transformação, erosão e sublimação de materiais, deu uma nova projeção à carreira de Ménard, em especial com a montagem P.P.P. (Position Parallèle au Plancher), de 2008, na qual usava como elemento o gelo. A metamorfose vista no espetáculo virou símbolo de sua transição de sexo, ocorrida na mesma época. Depois disso, rodou o mundo com obras como L’Après-Midi d’un Foehn e Vortex e tornou-se uma importante voz em questões de gênero. Em 2014, ela recebeu do governo francês o título Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres (Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras) e, no ano seguinte, tornou-se artista associada do Théâtre Nouvelle GénéraYon – Centre DramaYque NaYonal de Lyon e do Centre Chorégraphique NaYonal de Caen / Basse-Normandie. Em 2017, estreou na documenta 14 Contos Imorais – Parte 1: Casa Mãe. O projeto prevê outras duas partes, Temple Père (Templo Pai) e La Rencontre Interdite (O Encontro Proibido).

CRÍTICAS

Toda a genialidade de Phia Ménard, arquiteta desta obra para o corpo vivo, é de manter a distância do espetacular sem economizar no gesto. Casa Mãe é talvez uma obra crucial no percurso de Ménard, um ato militante e político. Um grito. A Europa assim glorificada bem em seus escombros (re)torna-se um horizonte possível (…) Casa Mãe é um conto moderno.

PHILIPPE NOISETTE, Les Inrockuptibles

Felizmente, as frases de Phia Ménard figuram apenas no texto de apresentação, não na própria peça. Porque toda a beleza dessa Casa Mãe consiste em ver a artista fantasiada de guerreira queer, Atena miserável, manipular o cenário sem que saibamos bem se ela cuida dele ou o maltrata (nem se a casa a protege ou a enclausura): deixar que as imagens e o tempo nos digam. Isso nos deixa completamente livres para decidir se essas imagens evocam a construção-destruição da Europa, a do patriarcado ou a maneira como essas duas questões estão ligadas.

ÈVE BEAUVALLET, Libération

Ficha Técnica

DRAMATURGIA E DIREÇÃO: Phia Ménard e Jean-Luc Beaujault
PERFORMANCE E CENOGRAFIA: Phia Ménard
MÚSICA E AMBIENTAÇÃO SONORA: Ivan Roussel
DIREÇÃO DE PALCO: Jean-luc Beaujault, Pierre Blanchet e Rodolphe Thibaud
FIGURINO: Fabrice Ilia Leroy
DIREÇÃO TÉCNICA: Olivier Gicquiaud
CODIREÇÃO, PRODUÇÃO E ADMINISTRAÇÃO: Claire Massonnet
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Clarisse Mérot
RELAÇÕES PÚBLICAS: Adrien Poulard
ASSISTENTE DE COORDENAÇÃO DE TURNÊS: Lara Cortesi
PRODUÇÃO-EXECUTIVA: Compagnie Non Nova
CORPRODUÇÃO: documenta 14 – Kassel e Le Carré, Scène Nationale e Centre d’Art Contemporain do Château-Gontier.

A companhia Non Nova é subsidiada pelo Ministério da Cultura e Comunicação da França – Direção Regional de Assuntos Culturais do Vale do Loire, pelo Conselho da Cidade Nantes, pelo Conselho Regional do Vale do Loire, pelo Conselho do Departamento Loire-Atlantique, pelo Institut Français e pela Fundação BNP Paribas. Com sede em Nantes, a companhia é atualmente associada do Malraux Scène Nationale Chambery Savoie e do TNB – Centre Européen Théâtral et Chorégraphique de Rennes. O projeto Casa Mãe recebeu apoio do Institut Français e da cidade de Nantes.
ENTREVISTA
Críticas