Residência Artística

OLHO NO OLHO: QUEM CONSEGUE SER VISÍVEL NA SÃO PAULO DE HOJE?

COM QUARANTINE

Richard Gregory headshot 2018Diante da complexidade social de uma megalópole como São Paulo, com mais de 20 milhões de habitantes, os experientes e renomados artistas do coletivo britânico Quarantine estarão em residência artística na MITsp 2020, compartilhando suas práticas com artistas locais. A residência resultará numa instalação/exibição performativa com a participação de aproximadamente 25 não artistas – pessoas comuns, sem experiência prévia com as artes cênicas, que tenham vivências e ideologias bastante diversas, contraditórias e até divergentes.

Richard Gregory e Renny O’Shea, cofundadores e diretores artísticos do Quarantine, com apoio das parceiras Sarah Hunter e Kate Daley, buscam 12 artistas brasileiros de variadas áreas (artes cênicas, visuais e plásticas, dança, cinema, música etc.) para trabalhar com eles de 13 de fevereiro a 8 de março de 2020, de terça a sábado, das 14h às 19h, desenvolvendo juntos estratégias para pesquisa, diálogo e engajamento com a cidade e com sua população. Na primeira etapa de residência, os integrantes do Quarantine partilharão suas técnicas de criação e alguns dos dispositivos que usam para seus eventos públicos. Em seguida, os participantes buscarão estabelecer um relacionamento próximo e direto com cerca de 25 não artistas – indivíduos normalmente distantes da cena artística e sem voz na sociedade, em especial aqueles cujos posicionamentos políticos e ideias costumam ser rejeitados no meio progressista. Os participantes da atividade serão convidados a identificar, encontrar e engajar os não artistas com os quais vão trabalhar e que mais tarde farão parte da instalação performativa em 7 e 8 de março de 2020. A programação terá ainda duas rodas de conversa, abertas ao público, nos dias 15 e 29 de fevereiro.

Ao reunir pessoas que usualmente não se encontrariam, a residência Olho no olho: quem consegue ser visível na São Paulo de hoje? criará as circunstâncias para o diálogo e o envolvimento com vozes dissidentes – aproximando-se daquilo que a teórica política belga Chantal Mouffe denomina de “pluralismo agonístico”. Para tanto, desenvolverá uma metodologia para a dissidência, que enfatize os aspectos positivos de certas formas de conflito político. A residência pretende estabelecer, assim, um espaço no qual performers, espectadores e demais presentes possam confrontar as questões:

Como atuamos? (teatro)

Como podemos agir? (política)

Como deveríamos agir? (ética)

Quem consegue atuar? (representação)

Afinal, tanto a ética quanto as políticas de presença e representação estão no cerne do teatro – o teatro é “o” meio da representação: quem fala por quem, quem substitui quem, quem decide e é ou não é visto, quem se responsabiliza, quem está lá para testemunhar, tomar parte, responder e assim por diante.

As criações do Quarantine lidam com o cotidiano de gente comum; o coletivo, que atua há 21 anos no Reino Unido, trabalha com as pessoas para que apresentem suas próprias narrativas e experiências. No palco, elas não são intérpretes das ideias de outros, mas sujeitos com história própria. Por meio desse método artístico e criativo, o coletivo britânico busca desenterrar relatos e memórias pessoais não hegemônicos e dar espaço a vozes não oficiais e divergentes, que geralmente não são ouvidas.

*A atividade é financiada pelo Programa Pontes, promovido pelo British Council Brasil e Oi Futuro, em parceria com o Centro Cultural São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura e Prefeitura da Cidade de São Paulo.

**Atividade com seleção.

QUANDO
  • 13/2 a 8/3, ter. a sáb., 14h às 19h. [Pausa para Carnaval: 22 a 25/2]
  • 7 e 8/3 apresentação da instalação performativa.
ONDE

Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, SP )

INSCRIÇÃO

De 20 de dezembro de 2019 a 31 de janeiro de 2020. O resultado será divulgado em 7 de fevereiro às 17h

PÚBLICO-ALVO

Artistas de diversas áreas (teatro, dança, música, artes visuais, cinema etc.).

>>> LEITURA SUGERIDA (PARA DOWNLOAD): Democracia, cidadania e a questão do pluralismo, de Chantal Mouffe.

RESULTADO DA SELEÇÃO

*As rodas de conversa desta atividade foram canceladas