Olhares Críticos

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com Thomas Ostermeier: Uma perspectiva sociológica sobre o teatro

SINOPSE

Neste encontro, o encenador alemão Thomas Ostermeier, uma dos maiores nomes do teatro mundial, expõe como a sociologia influencia diretamente seu trabalho teatral — da abordagem artística aos temas que escolhe. Para ele, a questão do pertencimento de classe é uma fonte fundamental de inspiração para situações dramáticas e constelações específicas de personagens em uma obra. Uma perspectiva treinada pela ciência social abriu o olhar do encenador alemão para as peças de Henrik Ibsen.

Para além de todos os elementos simbólicos e psicológicos gerais, os personagens de Ibsen estão sempre situados de maneira muito concreta em condições sociais e econômicas específicas. A conquista do status social e o medo de perdê-lo são fatores motivadores recorrentes e decisivos para eles. Esse ponto de vista atravessa o trabalho de Ostermeier em obras como Nora, Hedda Gabler, The Master Builder e, mais recentemente, The Wild Duck.

Nesse contexto, uma série de encontros o influenciou: enquanto estudava na Hochschule für Schauspielkunst Ernst Busch, em Berlim Oriental, o sociólogo Wolfgang Engler o apresentou aos escritos de Adorno, Horkheimer, Norbert Elias, Foucault e Bourdieu. Isso ensinou Ostermeier a compreender a sociedade como algo que se desenvolveu historicamente. Mais tarde, foi a história pessoal de Didier Eribon — sobre ascender de um contexto profundamente proletário a uma posição na burguesia acadêmica — que causou extrema identificação em Ostermeier. Ele também mantém uma relação estreita de trabalho e amizade com Édouard Louis, com quem colabora em diversos projetos como os espetáculos apresentados nesta MITsp: História da Violência e Quem Matou Meu Pai.

SOBRE

Thomas Ostermeier é diretor-residente e membro da direção artística da Schaubühne desde 1999. Formou-se em direção pela Hochschule für Schauspielkunst Ernst Busch e foi diretor artístico da Baracke, no Deutsches Theater de Berlim. Dirigiu produções no Münchner Kammerspiele, no Festival de Edimburgo, no Burgtheater de Viena e na Comédie-Française de Paris. Em 2004, tornou-se artista-associado do Festival d’Avignon, onde apresenta regularmente seus espetáculos. Recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Veneza pelo conjunto de sua obra (2011) e diversas honrarias, como a Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha e o Prêmio Kythera de Cultura (ambos em 2018).