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 13 a 23 
 de Março 
 de 2025 

13 a 23 de Março de 2025

Com quantos efêmeros se constrói uma efeméride?

Texto falado por Galiana Brasil, gerente do Núcleo de Curadorias e Programação Artística do Itaú Cultural, durante a cerimônia de abertura da 10ª edição da MITsp, realizada em 13 de março de 2025 no Teatro do SESI-SP. 

Boa noite, São Paulo

Licença aos donos da casa – SESI, Débora Viana e equipe -, meus cumprimentos aos parceiros aqui presentes, representantes das instituições que, juntas, possibilitam a realização desta mostra. Uma saudação a essa confluência de forças que aqui se materializa em prol das artes da cena, das artes vivas, das artes do corpo. O corpo, esse dispositivo, esse sagrado, esse profano, esse mesmo que, a depender do gênero, da raça, se converte em um território de disputa, um campo minado que tanto assusta quanto desestabiliza. 

Que importante, que necessário a garantia de espaços para que corpos, corpas de territórios em disputa, possam se manifestar. Porque tenho certeza que aqui ninguém duvida que, em tempos como estes, eles têm muito a nos dizer. Sejam bem-vindos todos os corpos que ocuparão essa mostra, que haja espaço para a pluralidade, a dissidência, o dissenso e o desvio. 

O banco Itaú apoia a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo desde seu nascedouro, e o Itaú Cultural (que hoje compõe a Fundação Itaú), reconheceu na MITsp interseções. A ousadia da curadoria e suas conexões, os olhares que refletem e repercutem as tensões, os cruzos e delírios de nosso tempo. Suas afirmações, deslocamentos, em especial, seus desvios e mutações.

Entre fricções bordamos tempos: há 10 edições o Itaú Cultural abriga, acolhe, acomoda e se coloca à serviço da realização da MITsp, e com mais do que sua estrutura física (espaços, equipamentos, recursos embarcados), além disso – o que não é pouco – com sua tecnologia mais sofisticada, as equipes. Mais que envolvidas, implicadas nas soluções, arranjos e adaptações necessárias para que ela aconteça em toda sua potência, a essas equipes meu agradecimento, a esses corpos operários – dentre os quais me incluo – que colocam sua energia e saberes em prol desse rito tão antigo – e o antigo tem um coração novo – que é proporcionar o encontro entre as obras – seus corpos – com tantos outros – os públicos que tão ansiosamente aguardamos ver chegar, e que chegam… E que cheguem cada vez mais diversos, plurais, interessantes e interessades.

Hoje, aqui, construímos memória. Nosso salve, sempre, aqueles e aquelas que vieram antes: aos mestres e mestras da cena, dos brinquedos populares, das pedagogias e escolas erguidas para além dos muros, os terreiros interartísticos. Um salve todo especial ao homenageado desta edição, o brincante Antonio Carlos Nóbrega, que em 2013 foi homenageado numa ocupação no Itaú Cultural.

Uma década de MITsp. Mas… 10 anos é quanto? Se o teatro é a arte do efêmero, com quantos efêmeros se constrói uma efeméride? De quantas décadas precisamos para não sermos esquecidas? 

Que essas perguntas bailem nas nossas cabeças e possam soprar outras construções temporais.

Obrigada Antonio Araujo, Guilherme Marques, Rafael Steinhauser, Rachel Brumana, Natália Machiavelli e Andreia Duarte pelo chamado para que estejamos juntes nessa gira. Um agradecimento quente para os trabalhadores e trabalhadoras da MITsp, e muito mas muito obrigada a esse público aqui presente, que certamente repetirá esse movimento ao longo desses dias e depois e depois… 

Que a gente corra ao teatro como se busca os templos, não em busca de respostas mas de novas perguntas. São tempos de suspensão, mas, não desanimemos, pois como ensina nossa reinadera, Leda Maria Martins – ainda dá tempo de visitar sua ocupação no Itaú Cultural -, no reinado, os grupos de congos avançam as encruzilhadas entre recuos e retração. Aprendamos, então, com a cultura e os brinquedos populares, que o corpo dança o tempo e o tempo é também poesia. 

Vida longa à Mostra Internacional de Teatro de São Paulo!

Muito obrigada.

Galiana Brasil
Gerente do Núcleo de Curadorias e Programação Artística do Itaú Cultural