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	<title>O Alicerce das Vertigens &#8211; MITsp 2019</title>
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		<title>Sobre ringues e diálogos ou a cena como campo de batalha Por Soraya Martins</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maducato_admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Mar 2019 18:40:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[O Alicerce das Vertigens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sobre ringues e diálogos ou a cena como campo de batalha Crítica do espetáculo O Alicerce das Vertigens Por Soraya Martins A peça O Alicerce das Vertigens coloca em cena o drama do teatro africano, traz o que o ator de África quer colocar dele no mundo. E o que ele tem a dizer a [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3>Sobre ringues e diálogos ou a cena como campo de batalha</h3>
<h4>Crítica do espetáculo <strong><em>O Alicerce das Vertigens</em></strong></h4>
<p>Por Soraya Martins</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-4584" src="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz06.jpg" alt="O Alicerce das Vertigens Dieudonne-Niangouna Foto Guto Muniz" width="886" height="620" srcset="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz06-200x140.jpg 200w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz06-300x210.jpg 300w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz06-400x280.jpg 400w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz06-600x420.jpg 600w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz06-768x537.jpg 768w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz06-800x560.jpg 800w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz06.jpg 886w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></p>
<p>A peça <em>O Alicerce das Vertigens</em> coloca em cena o drama do teatro africano, traz o que o ator de África quer colocar dele no mundo. E o que ele tem a dizer a partir do seu lugar de enunciação, como diz Conceição Evaristo, não é uma história para ninar os da Casa Grande-Colonizadores. Aqui se fala sobre e a partir de um pensamento crítico e reflexivo, sobre modos outros de interpretar os processos históricos e de forjar outras condições de existência para os corpos da negrura. Enganam-se as pessoas (brancas) que pensam que aqueles que não falam (negros) não tem nada a dizer. Eles &#8211; os negros africanos, negros em diáspora &#8211; foram sempre <em>silenciados</em>. As máscaras de flandres existem! Existem corpos autorizados para o abate. A necropolítica fazendo a política do extermínio.</p>
<p>“Pode o subalterno falar?”, pergunta Spivak. Como criar espaços nos quais os subalternizados (não é uma condição inerente, como a palavra subalterno indica) possam se articular e, como consequência, possam ser ouvidos? A palavra-linguagem é um mecanismo de poder que pode tanto ser utilizada para manter o poder quanto para compartilhá-lo. Quando se fala de direito à existência, à voz (e ao direito a ser escutado), se fala de lugares sociais, de como certos lugares são invisibilizados, de como as diferenças são vistas na sua negatividade e significam desigualdade, de como só um grupo específico está autorizado a falar.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-4585" src="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz2.jpg" alt="O Alicerce das Vertigens Dieudonne-Niangouna Foto Guto Muniz" width="886" height="620" srcset="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz2-200x140.jpg 200w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz2-300x210.jpg 300w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz2-400x280.jpg 400w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz2-600x420.jpg 600w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz2-768x537.jpg 768w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz2-800x560.jpg 800w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz2.jpg 886w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></p>
<p>O diretor Dieudonné Niangouna tece um espetáculo textocêntrico, que, para além do ato de emitir palavras, se dá para que identidades historicamente silenciadas e desautorizadas possam existir. A palavra na sofisticação das metáforas e metonímias, na ironia cortante que faz com que o espectador sinta o cheiro fétido do empreendimento colonial. O delírio. O fantasma. A vertigem.</p>
<p><em>O Alicerce das Vertigens</em> encena os fragmentos-vertigens de vida de dois irmãos, Fido e Roger, que veem o seu cotidiano na cidade de Brazzaville, capital da República do Congo, sua dimensão familiar-íntima, serem confundidas com a própria história da colonização do país. Dessa mistura, fragmentos-vertigens que vão do pessoal ao coletivo e volta de novo no pessoal, surgem histórias que os textos da História, as narrativas dos vencedores sistematicamente camuflam. Dessa prática emerge um significante novo que vai paulatinamente inscrevendo a peça/a performance em novos saberes sociais, culturais e históricos.</p>
<div id="attachment_4586" style="width: 896px" class="wp-caption alignnone"><img aria-describedby="caption-attachment-4586" class="size-full wp-image-4586" src="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz05.jpg" alt="" width="886" height="620" srcset="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz05-200x140.jpg 200w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz05-300x210.jpg 300w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz05-400x280.jpg 400w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz05-600x420.jpg 600w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz05-768x537.jpg 768w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz05-800x560.jpg 800w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz05.jpg 886w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /><p id="caption-attachment-4586" class="wp-caption-text">O Alicerce das Vertigens Dieudonne-Niangouna Foto Guto Muniz</p></div>
<p>Cenário fragmentado. Fragmentos de imagens. Fragmentos de memórias mobilizados para dar conta das experiências negras fragmentadas em si mesma. A possibilidade de existir a partir do fragmento (que não é um <em>processo</em> de “desencanto” ou de desagregação social, de um mundo fragmentado e polarizado entre capitalistas e comunistas, da efervescência das vertentes pós-estruturalistas e desconstrutivistas, como acontece com o teatro contemporâneo branco-hegemônico), <em>condição</em> &#8211; sem possibilidades de escolhas, para os sujeitos negros moventes pelo mundo, devido à imigração forçada pelo capitalismo &#8211; para plantar a realidade de maneira outra, fazer cem milhões de revoluções, mostrar outras possibilidades de estar e ser negro em cena, de ser negro pensante no mundo, de revisitar o passado, não como uma simples enunciação oca, mas como uma tentativa, sempre retomada, de uma fidelidade àquilo que nele (passado) pedia outro devir. A possibilidade mesma de tecer um devir negro no mundo, apresentada no fim do espetáculo: tem-se uma tela branca vazia oferecida ao espectador pronta para ser colorida com histórias, memórias cosmologias, tecnologias e corpos negros. Pronta, como diz Jota Mombaça, para redistribuir as violências.</p>
<p>O teatro de Niangouna se apresenta como lugar privilegiado de produção de pensamento crítico sobre a história de África, do Brasil e do mundo, local de produção de história pública no sentido mais sofisticado e abrangente do termo.</p>
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		<title>O peito do pai Por Paloma Franca Amorim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maducato_admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Mar 2019 15:15:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[O Alicerce das Vertigens]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3>O peito do pai</h3>
<h4>Crítica do espetáculo <strong><em>O Alicerce das Vertigens</em></strong></h4>
<p>Por Paloma Franca Amorim</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-4531" src="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz01-1.jpg" alt="O Alicerce das Vertigens Dieudonne-Niangouna Foto Guto Muniz" width="886" height="620" srcset="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz01-1-200x140.jpg 200w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz01-1-300x210.jpg 300w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz01-1-400x280.jpg 400w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz01-1-600x420.jpg 600w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz01-1-768x537.jpg 768w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz01-1-800x560.jpg 800w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz01-1.jpg 886w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></p>
<p>Muito pouco se conhece no Brasil sobre a colonização dos povos africanos, esses que em contusão diaspórica são responsáveis pela formação, ao lado dos povos indígenas, da maior parte de nosso quadro racial e do imaginário social e político que, em uma dinâmica viva e de oscilação, ora é esmagado pelo poder dominante, pautado pela voz histórica do colonizador, ora torna-se substância primeira de luta e resistência.</p>
<p><em>O Alicerce das Vertigens</em>, escrito e dirigido por Dieudounné Niangouna, parece reivindicar a palavra histórica à luz dos vencidos &#8211; termo injusto para definir o processo de disputa ideológica encampado pelos povos do mundo subalternizados por conta do agenciamento branco/europeu do território e, portanto, do capital. No espetáculo que se desdobra ao longo de quase duas horas em movimentos justapostos, rasgados à navalha e colados como um quebra-cabeça de atrocidades de ordem pública e privada em Brazzaville, capital da República do Congo, manifesta-se a aferrada busca da narrativa possível a respeito de um passado íntimo que traduz em signos violentos a experiência da realidade citadina, do entorno social para além da residência familiar.</p>
<p>O enredo conta a trajetória de Roger e Fido, dois irmãos que se percebem em face de uma crise social, estruturante de seu processo familiar, quando da morte do pai, Joachim. Esse conflito emocional expande-se em universo político e se configura como expressão de uma dolorida análise sobre os temas da (neo)colonização, da territorialidade e da memória.</p>
<p>Valendo-se de uma série de imagens e ações cênicas em contiguidade, como num emaranhado-estopim de fagulhas históricas apagadas sistematicamente pela versão do colonizador europeu, Niangouna dialoga com algumas teses contemporâneas a propósito do desenvolvimento da historiografia como um campo aberto, espaço da intersecção entre o acontecimento factual, objeto do passado, findo, e o tempo presente, espaço da aprendizagem, através da qual esse mesmo passado pode ser elaborado.</p>
<p>Segundo o antropólogo francês Marc Augé, no ensaio <em>O Passado, A Memória, O Exílio</em>:</p>
<p>&#8220;<em>Na África, especialmente, a colonização foi um fenômeno repentino e rápido, e gerações de crianças e de jovens foram convidadas a admitir, de um dia para o outro, que o mundo no qual eles haviam sido criados e educados não tinha sentido. </em>(&#8230;)&#8221;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-4529" src="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz02.jpg" alt="O Alicerce das Vertigens Dieudonne-Niangouna Foto Guto Muniz" width="886" height="620" srcset="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz02-200x140.jpg 200w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz02-300x210.jpg 300w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz02-400x280.jpg 400w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz02-600x420.jpg 600w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz02-768x537.jpg 768w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz02-800x560.jpg 800w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/O-Alicerce-das-Vertigens_Dieudonne-Niangouna_Foto-Guto-Muniz02.jpg 886w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></p>
<p>Em <em>O Alicerce das Vertigens </em>o lugar dos significados da origem e do pertencimento e seu compulsório esvaziamento é campo de batalha, entretanto, há uma espécie de cisão formal/política na abordagem estética do assunto uma vez que o espetáculo é organizado e, por assim dizer, resolvido através da utilização de excessiva retórica, técnica da palavra ocidental contornada por um princípio de racionalização que acaba reproduzindo o valor linguístico da dominação filosófica e cultural europeia, a mesma que se procura criticar.</p>
<p>É evidente que para a organização do discurso cênico, sobretudo quando comentada a produção africana ou ameríndia, não existem apenas as vias duais, estereotipias também fruto da colonização, associadas a uma lógica de oposição entre razão e instinto, mas a grande quantidade de prosa narrativa no espetáculo acaba solapando a potência das imagens efusivamente dialéticas apresentadas em cena como, por exemplo, a matança de vacas e, posteriormente, a degola de um homem &#8211; o que, por efeito, evidencia e condena uma indignação seletiva do público brasileiro, majoritariamente branco na noite de ontem, quanto à morte de centenas e milhares de pessoas negras no globo.</p>
<p>Em determinado momento do espetáculo, um dos filhos de Joachin, morto por rajadas de tiros no peito desferidos pelo próprio irmão, diz:</p>
<p><em>A gente podia olhar o horizonte através dele.</em></p>
<p>Niangouna conforma nessa frase um modo de enxergar as tragédias de um país espoliado pelo mercantilismo colonial e neocolonial e seus efeitos de desumanização pelas retinas do afeto familiar, as alianças contraditórias do profundo de dentro.  O homem vê o horizonte através do pai, porque seu peito está aberto pelas balas e também porque, sim, através dos laços ancestrais, num processo de ida e vinda no tempo, é possível perspectivar algum horizonte, ainda que tão longe, ainda que inexistente.</p>
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