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Roberto Suárez: “Buscamos uma relação com o público pela via do afeto”

Responsável por um dos espetáculos mais concorridos da MITsp – Bem-vindo a casa – o diretor uruguaio Roberto Suárez conversou ontem à tarde (11) com o público, no Itaú Cultural. Em sua palestra, Suárez analisou a cena rio-platense e relatou alguns princípios de seu trabalho com os atores. A conversa foi mediada pelo professor André Carreira (Udesc).

“Acho que a cena do Rio de la Plata está vivendo um grande momento. A sensação que tenho é que há nesse momento uma forte energia e paixão dos artistas em relação ao que eles fazem e, no contexto pós-ditadura, surgiram muitas gerações com o desejo de traçar um caminho próprio. Então, sinto que atravessamos um momento de grande brilhantismo sobre o entendimento do teatro. E falo isso sobretudo em relação aos processos, não necessariamente aos resultados”, comenta o diretor, a respeito da cena teatral que abarca as cidades de Buenos Aires e Montevidéu.

Suárez também comentou sobre um dos aspectos que mais impressionou o público nas primeiras apresentações de Bem-vindo a casa na MITsp: o elaborado trabalho dos atores. “Buscamos uma relação com o público pela via do afeto. Costumo brincar que o ator deve amar estar em cena e amar o espectador para quem apresenta. E também peço a eles para atuarem sempre como se fosse a última vez que estivessem no palco. Buscamos oxigenar a repetição e valorizar o aqui-agora do teatro”, comenta o diretor, que trabalhou com um hipnotista durante os ensaios para atingir uma qualidade de aproximação com o público que atravessasse o inconsciente.

O encenador afirma, inclusive, que a busca por uma atuação com menos maneirismos seria uma das características marcantes da cena rio-platense pós-ditadura. “Quando a ditadura terminou, houve a necessidade de quebrar com a verticalidade diretor-ator. E isso interferiu sobretudo no modo como os atores passaram a atuar. Havia um certo maneirismo que afastava o teatro das pessoas. Então, com essa transformação, o que aconteceu em todo o Rio de la Plata foi o surgimento de um teatro mais profissional”, sublinha.

Em sua visão sobre o teatro, Suárez ressaltou a necessidade de se usar o espaço cênico mais como lugar de “compartilhar paixões” e menos como via de acesso uma dimensão mais intelectual. Ele também buscou minimizar o aspecto aurático que costuma circunda a linguagem cênica. “O teatro pra mim não é transcendente. É apenas uma busca contínua, apaixonada, de falar das coisas que a gente gosta”, refletiu o diretor no encerramento da palestra.

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