{"id":9684,"date":"2020-03-08T12:45:41","date_gmt":"2020-03-08T15:45:41","guid":{"rendered":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/?p=9684"},"modified":"2020-03-12T14:22:08","modified_gmt":"2020-03-12T17:22:08","slug":"desmontar-ampulheta-e-recriar-as-areias-do-tempo-por-guilherme-diniz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/desmontar-ampulheta-e-recriar-as-areias-do-tempo-por-guilherme-diniz\/","title":{"rendered":"Desmontar a ampulheta e recriar as areias do tempo <h6>por Guilherme Diniz<\/h6>"},"content":{"rendered":"<h3>Desmontar a ampulheta e recriar as areias do tempo<\/h3>\n<h6>por Guilherme Diniz<\/h6>\n<p><img class=\"alignnone wp-image-9677 size-fusion-400\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o-400x620.jpg\" alt=\"O que Fazer Daqui para Tr\u00e1s @Guto Muniz\" width=\"400\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o-194x300.jpg 194w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o-200x310.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o-400x620.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o-600x930.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o-660x1024.jpg 660w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o-768x1191.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o-800x1240.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o-991x1536.jpg 991w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o-1200x1860.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o-1321x2048.jpg 1321w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009577_fe7e873460_o.jpg 1548w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><img class=\"alignnone wp-image-9675 size-fusion-400\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o-400x620.jpg\" alt=\"O que Fazer Daqui para Tr\u00e1s @Guto Muniz\" width=\"400\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o-194x300.jpg 194w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o-200x310.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o-400x620.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o-600x930.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o-660x1024.jpg 660w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o-768x1191.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o-800x1240.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o-991x1536.jpg 991w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o-1200x1860.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o-1321x2048.jpg 1321w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633009022_64dc22004e_o.jpg 1548w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/o-que-fazer-daqui-para-tras\/\"><i>O que Fazer Daqui para Tr\u00e1s<\/i><\/a>, do portugu\u00eas (nascido em Paris) Jo\u00e3o Fiadeiro, investiga as no\u00e7\u00f5es de tempo, performando possibilidades inumer\u00e1veis de conceber e explorar a dimens\u00e3o temporal em suas mais distintas significa\u00e7\u00f5es, dinamitando a ideia de um tempo \u00fanico e universal. Segundo o pensador Boaventura de Sousa Santos, uma das inven\u00e7\u00f5es mais perversas da chamada modernidade ocidental seria a destrui\u00e7\u00e3o das temporalidades m\u00faltiplas em detrimento de uma raz\u00e3o temporal linear e un\u00edvoca que impossibilita os sujeitos de ampliarem suas percep\u00e7\u00f5es de mundo, bem como inviabiliza a experi\u00eancia diversa dos v\u00e1rios tempos poss\u00edveis. N\u00e3o h\u00e1 em cena uma disserta\u00e7\u00e3o ou explica\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica sobre o tempo, mas ensaios, rascunhos, esbo\u00e7os de reflex\u00f5es e din\u00e2micas c\u00eanicas que n\u00e3o somente tateiam maneiras de pensar o tempo, mas tamb\u00e9m imaginam outras gram\u00e1ticas sobre ele; isto \u00e9, outras formas de articular a rela\u00e7\u00e3o do tempo com os seres e o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>A configura\u00e7\u00e3o c\u00eanica se sustenta por meio de um dispositivo que se repete durante todo o espet\u00e1culo: um performer surge correndo dos fundos do palco totalmente despojado de objetos c\u00eanicos e compartilha um ponto de vista, uma d\u00favida ou um desejo com a plateia, acerca da vida, do tempo e suas rela\u00e7\u00f5es. H\u00e1 um solit\u00e1rio microfone posicionado no pedestal que amplifica as elocu\u00e7\u00f5es dos cinco performers, que abandonam rapidamente o palco assim que o pr\u00f3ximo atuante reaparece acelerado. Entre um e outro performer, est\u00e3o os intervalos irregulares, surpreendentes, sem uma ordem fixa no revezamento dos artistas c\u00eanicos. Em seu desenvolvimento, esse dispositivo c\u00eanico sofre constantes e imprevistas altera\u00e7\u00f5es, conferindo sentidos novos \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o. A encena\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Fiadeiro acentua gradualmente notas de comicidade a partir do ins\u00f3lito, da livre associa\u00e7\u00e3o de ideias e imagens e das urg\u00eancias dos performers, liberando um riso c\u00famplice entre atuantes e p\u00fablico.<\/p>\n<p><i>O que Fazer Daqui para Tr\u00e1s<\/i> delineia uma coreografia da exaust\u00e3o, na qual a respira\u00e7\u00e3o descompassada, o suor e o esgotamento f\u00edsico acentuam a crueza da corporeidade do performer em a\u00e7\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o, sem subterf\u00fagios. A exaust\u00e3o \u00e9 um estado real que imprime outras formas de enuncia\u00e7\u00e3o do texto, preenchendo as falas de vazios, respiros e suspiros, derivados de um cansa\u00e7o esteticamente elaborado. A pe\u00e7a movimenta-se como um verdadeiro jogo; estado l\u00fadico de disponibilidade, abertura para o inusitado, disposi\u00e7\u00e3o para lidar com o ins\u00f3lito e o imprevisto, na trilha mesmo do pensamento da pedagoga teatral Viola Spolin, que diz: \u201cNingu\u00e9m conhece o resultado de um jogo at\u00e9 que se jogue\u201d. As certezas s\u00e3o demovidas, gerando um fluxo que prima pelo risco. O pr\u00f3prio processo de constru\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a, por meio do sistema intitulado Composi\u00e7\u00e3o em Tempo Real, desenvolvido por Jo\u00e3o Fiadeiro (que \u00e9, a prop\u00f3sito, o Pedagogo em Foco, da MITsp), visa instaurar nos performers um estado criativo capaz de criar e organizar plasticamente as cenas no aqui-agora, assumindo os riscos, as precariedades e as incertezas do tempo presente, em toda sua potencialidade.<\/p>\n<p>Em termos espaciais, <i>O que Fazer Daqui para Tr\u00e1s<\/i> exp\u00f5e a ossatura do palco, revelando as varas de ilumina\u00e7\u00e3o, refletores e as depend\u00eancias internas do teatro Cacilda Becker, como se a carnadura do espa\u00e7o se constitu\u00edsse tamb\u00e9m como um elemento perform\u00e1tico a exibir suas formas que possibilitam os desenhos, as movimenta\u00e7\u00f5es basilares deste espet\u00e1culo. As grada\u00e7\u00f5es da luz s\u00e3o orquestradas em uma din\u00e2mica altamente sutil, criando delicadamente sombreamentos e luminosidades que percorrem toda a \u00e1rea de jogo, afirmando-se pelo vagar de suas transforma\u00e7\u00f5es, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s urg\u00eancias dos cinco performers.<\/p>\n<p><i>O que Fazer Daqui para Tr\u00e1s <\/i>\u00e9, portanto, uma verdadeira ode ao encontro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desmontar a ampulheta e recriar as areias do tempo por Guilherme Diniz O que Fazer [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":9689,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[8],"tags":[104],"yst_prominent_words":[],"acf":{"synopsis":"","age_restriction":"0","duration":"","director":"","teaser_url":"","payment_type":"free","purchase_url":"","places":false,"activities":"","payment_info":"","live":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9684"}],"collection":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9684"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9684\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9689"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9684"},{"taxonomy":"yst_prominent_words","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/yst_prominent_words?post=9684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}