{"id":9670,"date":"2020-03-08T12:27:13","date_gmt":"2020-03-08T15:27:13","guid":{"rendered":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/?p=9670"},"modified":"2020-03-12T14:22:56","modified_gmt":"2020-03-12T17:22:56","slug":"quem-somos-no-crepusculo-por-lais-machado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/quem-somos-no-crepusculo-por-lais-machado\/","title":{"rendered":"Quem somos no crep\u00fasculo? <h6>por La\u00eds Machado<\/h6>"},"content":{"rendered":"<h3>Quem somos no crep\u00fasculo?<\/h3>\n<h6>por La\u00eds Machado<\/h6>\n<p><img class=\"alignnone wp-image-9664 size-full\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632106823_01120e5004_o.jpg\" alt=\"ORLANDO @Guto Muniz\" width=\"2400\" height=\"1680\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632106823_01120e5004_o-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632106823_01120e5004_o-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632106823_01120e5004_o-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632106823_01120e5004_o-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632106823_01120e5004_o-768x538.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632106823_01120e5004_o-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632106823_01120e5004_o-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632106823_01120e5004_o-1200x840.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632106823_01120e5004_o-1536x1075.jpg 1536w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632106823_01120e5004_o.jpg 2400w\" sizes=\"(max-width: 2400px) 100vw, 2400px\" \/><\/p>\n<p>Inspirada no romance hom\u00f4nimo de Virginia Woolf, a artista su\u00ed\u00e7a Julie Beauvais e o franc\u00eas Horace Lundd desenvolvem o trabalho intitulado <a href=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/orlando\/\"><em>ORLANDO<\/em><\/a>. Uma instala\u00e7\u00e3o multi-tela, organizada em formato de hept\u00e1gono, onde s\u00e3o projetadas imagens dos sete \u201cOrlandos\u201d escolhidas por Beauvais, enquanto uma performance sonora \u00e9 executada ao vivo tentando acompanhar os fluxos criados e estabelecidos pelos v\u00eddeos. A obra intenciona produzir uma experi\u00eancia imersiva e meditativa, e o p\u00fablico decide de que modo gostaria de interagir com a instala\u00e7\u00e3o: dentro da estrutura \u2013 para onde est\u00e3o voltadas as caixas amplificadoras e onde est\u00e1 sendo executada a performance musical \u2013 ou do lado de fora. E tamb\u00e9m pode decidir a sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos v\u00eddeos projetados \u2013 podendo se aproximar, olh\u00e1-los em perspectiva, deitar, sentar, caminhar.<\/p>\n<p>Orlando, personagem principal do romance de Woolf, leva uma vida que transcende os limites do humano. Vivendo uma exist\u00eancia de mais de 300 anos. Ora como um homem, ora mulher. A fluidez da identidade dessa figura serve como ponto de partida para a discuss\u00e3o que Beauvais prop\u00f5e sobre os limites identit\u00e1rios por onde navegam os corpos andr\u00f3ginos. Mas, apesar de cada Orlando ser completamente diferente um do outro em muitos aspectos f\u00edsicos, idade e contextos culturais bastante diversos, todos os v\u00eddeos se assemelham: na qualidade de movimento das performances e enquadramento dos Orlandos; nas paisagens abertas; no tempo dilatado; nos dois ter\u00e7os de c\u00e9u e um ter\u00e7o de terra que comp\u00f5em a fotografia e no espa\u00e7o azul que antecede a chegada do Sol.<\/p>\n<p>A autora chama o que tem feito nesta obra de <em>neorrenascen\u00e7a<\/em>, um novo movimento espiritual, uma nova forma de experimentar a realidade e uma busca pela centralidade do humano diante das quest\u00f5es que afligem o mundo. O nosso mundo. Mas qual seria o recorte do humano feito por essa nova renascen\u00e7a? N\u00e3o podemos ignorar que o humano tamb\u00e9m \u00e9 um conceito, uma ideia, uma inven\u00e7\u00e3o. E buscar algo essencialmente humano, em 2020, talvez devesse vir acompanhado do reconhecimento da inven\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios de essencialidade. Caso contr\u00e1rio o que diferenciaria esse movimento de uma nova postura colonizante?<\/p>\n<p>Os performers s\u00e3o aqui chamados pela autora de \u201cprecursores do p\u00f3s-binarismo\u201d, e sua posi\u00e7\u00e3o dentro da obra \u00e9 a de agentes da propaga\u00e7\u00e3o de uma frequ\u00eancia meditativa. Existe a\u00ed uma consist\u00eancia na execu\u00e7\u00e3o dessa proposta. Reconhec\u00edvel tanto pelo estado meditativo no qual se encontram os performers no v\u00eddeo, quanto pela atmosfera dilatada que se estabelece em pouco tempo de frui\u00e7\u00e3o na instala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em conversa, Beauvais compartilhou parte do seu processo com os performers e as tentativas de mergulho em seus universos internos. Mas isso me fez questionar: por que seriam estes os \u201cprecursores do p\u00f3s-binarismo\u201d? H\u00e1 algo em suas biografias que a fez eleg\u00ea-los como esses \u201cembaixadores\u201d, a despeito de toda produ\u00e7\u00e3o mundial sobre identidade de g\u00eanero? Ou ela os chama assim porque foram iniciados, atrav\u00e9s do trabalho que desenvolveu com eles durante semanas, neste novo movimento espiritual? N\u00e3o haveria inc\u00f4modo sobre nenhuma dessas afirma\u00e7\u00f5es se n\u00e3o houvesse o movimento de deslocamento para outros contextos culturais. A fim de examin\u00e1-los, aplicar o mesmo m\u00e9todo e obter a mesma resposta. Configurando-se numa postura quase mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 que se ter cuidado ao criar estrat\u00e9gias para o rompimento da l\u00f3gica bin\u00e1ria que rege a estrutura social global. Uma vez que sempre h\u00e1 o risco de simplifica\u00e7\u00e3o da realidade criando novas polariza\u00e7\u00f5es. Se a aurora \u00e9 a pot\u00eancia, existe a possibilidade de previs\u00e3o al\u00e9m do desejo de cria\u00e7\u00e3o? E, se a aurora \u00e9 diversidade, caberiam crit\u00e9rios de an\u00e1lise dessa realidade como evolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem somos no crep\u00fasculo? por La\u00eds Machado Inspirada no romance hom\u00f4nimo de Virginia Woolf, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":9664,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[8],"tags":[108],"yst_prominent_words":[],"acf":{"synopsis":"","age_restriction":"0","duration":"","director":"","teaser_url":"","payment_type":"free","purchase_url":"","places":false,"activities":"","payment_info":"","live":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9670"}],"collection":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9670"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9670\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9664"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9670"},{"taxonomy":"yst_prominent_words","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/yst_prominent_words?post=9670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}