{"id":10315,"date":"2020-05-25T14:52:01","date_gmt":"2020-05-25T17:52:01","guid":{"rendered":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/?p=10315"},"modified":"2020-06-03T18:07:38","modified_gmt":"2020-06-03T21:07:38","slug":"quando-voltaremos-respirar-juntos-por-clovis-domingos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/quando-voltaremos-respirar-juntos-por-clovis-domingos\/","title":{"rendered":"Quando voltaremos a respirar juntos?  <h6>por Cl\u00f3vis Domingos<\/h6>"},"content":{"rendered":"<h3>Quando voltaremos a respirar juntos?<\/h3>\n<h6>por Cl\u00f3vis Domingos<\/h6>\n<p><img class=\"alignnone size-large wp-image-9679\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633008737_2c9fe3a1ca_o-1024x717.jpg\" alt=\"O que Fazer Daqui para Tr\u00e1s @Guto Muniz\" width=\"1024\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633008737_2c9fe3a1ca_o-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633008737_2c9fe3a1ca_o-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633008737_2c9fe3a1ca_o-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633008737_2c9fe3a1ca_o-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633008737_2c9fe3a1ca_o-768x538.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633008737_2c9fe3a1ca_o-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633008737_2c9fe3a1ca_o-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633008737_2c9fe3a1ca_o-1200x840.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49633008737_2c9fe3a1ca_o-1536x1075.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Escrevo esse texto buscando na mem\u00f3ria a intensidade dos dez dias vividos na 7\u00aa MITsp: muitos espet\u00e1culos, encontros, palestras, conversas com diferentes pessoas, deslocamentos na cidade, produ\u00e7\u00e3o de escritas cr\u00edticas, enfim, a aventura do conv\u00edvio humano e art\u00edstico. Poderia afirmar que nesse per\u00edodo <i>\u201c<\/i>respirei\u201d teatro e isso foi experimentado de forma coletiva e aconteceu numa acep\u00e7\u00e3o dupla: respira\u00e7\u00e3o (como ventila\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias, afetos e for\u00e7as que regulam a pr\u00f3pria vida) e respiro (possibilidades de oxigena\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o em tempos de autoritarismo e estrangulamento pol\u00edtico e social). Sim, nos \u00faltimos tempos, a arte vem tentando criar espa\u00e7os e frestas de respiro e insistindo em trazer um pouco mais de ar diante das amea\u00e7as de sufocamento e silenciamento das ideias, das express\u00f5es, dos corpos, das palavras e da diversidade de manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dessa forma, posso dizer que voltei de S\u00e3o Paulo oxigenado, renovado, nutrido por ter respirado diferentes e instigantes ares junto a tanta gente. Mas o t\u00e9rmino da MITsp tamb\u00e9m se transformou no fim (ainda que tempor\u00e1rio) de uma experi\u00eancia fundamental para mim: ser espectador singular e ao mesmo tempo coletivo do acontecimento c\u00eanico. A pandemia do\u00a0 coronav\u00edrus chegou para transformar radicalmente o mundo. Os \u00faltimos tr\u00eas dias da MITsp, com a necessidade de cancelamento de alguns eventos da programa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 prenunciava que algo muito grave j\u00e1 estava em curso. De repente tudo virou de cabe\u00e7a para baixo: agora estamos (quase todos, \u00e9 verdade) em isolamento social, confinados em nossas casas, impedidos de sair pelas ruas, de cumprir nossas agendas e rotinas, de frequentar lugares com aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas. Com os teatros fechados, todos os espet\u00e1culos foram cancelados e as artes da presen\u00e7a agora se tornaram aus\u00eancia, virtualidade e impossibilidade.<\/p>\n<p>O que escrever daqui para frente?<\/p>\n<p>S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel agora dizer daqui para tr\u00e1s?<\/p>\n<p>Perdido em minhas anota\u00e7\u00f5es feitas durante a Mostra, passei os \u00faltimos dias da quarentena tentando encontrar um caminho por onde come\u00e7ar. H\u00e1 momentos em que a respira\u00e7\u00e3o falta devido \u00e0 ang\u00fastia diante de tantas incertezas.<\/p>\n<p>O que escrever daqui para tr\u00e1s?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o me veio, depois de muito vazio e perplexidade, um desejo meio torto de tentar falar de alguns espet\u00e1culos da Mostra a partir de seus modos respirat\u00f3rios, suas po\u00e9ticas e tem\u00e1ticas que de alguma forma dialogam com o momento presente, e tamb\u00e9m trazer a mem\u00f3ria de como respirei junto a esses trabalhos. Agora \u00e9 como se eles me fizessem companhia, e mais, fossem meus aparelhos respiradores que me ajudam a permanecer vivo.<\/p>\n<p>Come\u00e7o ent\u00e3o voltando ao espet\u00e1culo <a href=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/o-que-fazer-daqui-para-tras\/\"><i>O que Fazer Daqui para Tr\u00e1s?<\/i><\/a><i>, <\/i>de Jo\u00e3o Fiadeiro, em algumas de suas dimens\u00f5es mais fortes: a respira\u00e7\u00e3o ofegante, o tempo intervalar, o espa\u00e7o do palco vazio, os discursos fragmentados, a urg\u00eancia a que somos condenados a viver. Entre presen\u00e7a e aus\u00eancia, performers sempre correndo entre o dentro e o fora do teatro e a realidade sendo questionada e problematizada, as tentativas de descri\u00e7\u00e3o das coisas, dos fatos e das pessoas que sempre permanecem incompletas num cotidiano absurdo. Tamb\u00e9m s\u00e3o abordadas as quest\u00f5es do corpo em suas varia\u00e7\u00f5es, percep\u00e7\u00f5es, limites e potencialidades. O que fica? O que resta? Quais mem\u00f3rias e afetos nos mobilizam diante da velocidade do mundo atual? Em qual dire\u00e7\u00e3o seguir: para frente ou para tr\u00e1s?<\/p>\n<p>No trabalho de Fiadeiro podemos pensar sobre o tempo atropelado para respondermos a todas as demandas que nos chegam. O cansa\u00e7o nosso de cada dia. O futuro incerto. Tudo em movimento e desequil\u00edbrio e somente o microfone no centro do palco \u00e9 o personagem estabilizado. Correr, parar, falar, pensar, perder. Perguntar. Desacelerar. A plateia inquieta. A vida acontecendo em tempo real.<\/p>\n<p>Nessa performance o pr\u00f3prio lugar das artes da cena \u00e9 questionado: o que \u00e9 um espet\u00e1culo? O que estamos fazendo juntos ali? O que significa aquele entra e sai dos artistas? O que aqueles discursos emitidos de maneira s\u00f4frega t\u00eam a nos dizer? Entre vigor e exaust\u00e3o, os artistas resistem, re-existem, re-insistem. Entre uma crise e outra de falta de ar, ainda assim alguma coisa se cria. Nessa correria sem tempo, sem ordem e sem sentido, uma camada espa\u00e7o-temporal se funda. A necessidade de respirar \u00e9 o que fica. Aproximando toda essa paisagem para os dias de hoje: como respirar em tempos de pausa for\u00e7ada? Como ficar\u00e1 o teatro daqui para frente? Para qual dire\u00e7\u00e3o? A nudez do palco agora vestida pelo sil\u00eancio de n\u00e3o se saber quando ser\u00e1 habitada por uma nova palavra. S\u00f3 nos resta, como os personagens de Samuel Beckett, esperar. Respirar&#8230;<\/p>\n<p>J\u00e1 em <a href=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/contos-imorais-parte-1-casa-mae\/\"><i>Contos Imorais &#8211; Parte I:<\/i> <i>Casa M\u00e3e<\/i><\/a><i>, <\/i>da artista francesa Phia M\u00e9nard, fica a mem\u00f3ria de minha respira\u00e7\u00e3o suspensa. Nessa performance f\u00edsica, o corpo como campo de batalha frente \u00e0s for\u00e7as naturais, as quais n\u00e3o dominamos. Um trabalho sobre a transforma\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias, a imperman\u00eancia das coisas, o fracasso das utopias do mundo ocidental. Uma met\u00e1fora de uma Europa devastada. Presenciamos a meticulosa constru\u00e7\u00e3o de uma casa erguida (numa refer\u00eancia ao Partenon grego), a partir do esfor\u00e7o quase sobre-humano da artista. \u00c9 poss\u00edvel ouvir sua respira\u00e7\u00e3o profunda e vigorosa para dar forma ao seu ambicioso projeto. Ap\u00f3s a passagem de um tempo largo no qual acompanhamos sua empreitada, finalmente a casa est\u00e1 de p\u00e9. Em alguns momentos, h\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo pode se perder, o m\u00ednimo gesto pode comprometer a s\u00f3lida morada que foi bravamente constru\u00edda pelo suor e agressividade de uma mulher. Lembro que respirei aliviado.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-large wp-image-6021\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Maison-Mere\u00a9\ufe0fJean-Luc-Beaujault-1024x597.jpg\" alt=\"Maison Mere \u00a9\ufe0fJean Luc Beaujault\" width=\"1024\" height=\"597\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Maison-Mere\u00a9\ufe0fJean-Luc-Beaujault-200x117.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Maison-Mere\u00a9\ufe0fJean-Luc-Beaujault-300x175.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Maison-Mere\u00a9\ufe0fJean-Luc-Beaujault-400x233.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Maison-Mere\u00a9\ufe0fJean-Luc-Beaujault-600x350.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Maison-Mere\u00a9\ufe0fJean-Luc-Beaujault-768x448.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Maison-Mere\u00a9\ufe0fJean-Luc-Beaujault-800x467.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Maison-Mere\u00a9\ufe0fJean-Luc-Beaujault-1024x597.jpg 1024w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Maison-Mere\u00a9\ufe0fJean-Luc-Beaujault.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Miss\u00e3o cumprida? Pura ilus\u00e3o. Bastam poucos minutos para que uma chuva des\u00e7a sobre o palco. O papel\u00e3o vai sendo encharcado at\u00e9 que o imponente templo, n\u00e3o suportando mais a for\u00e7a da \u00e1gua que se infiltra, desaba como um castelo de areia. Um c\u00e9u cinza e fumacento transforma a paisagem num cen\u00e1rio apocal\u00edptico. Tudo o que sobra \u00e9 um dep\u00f3sito de restos. O Partenon, s\u00edmbolo m\u00e1ximo da democracia, surge humilhado e afogado em detritos. A artista impass\u00edvel apenas observa o dil\u00favio. Diante da cat\u00e1strofe, n\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o. Seria semelhante ao comportamento de cada um de n\u00f3s diante da mis\u00e9ria que aniquila o mundo? Como mudar as realidades adversas que convocam nossa for\u00e7a e indigna\u00e7\u00e3o? Estaremos todos indiferentes e anestesiados? Minha respira\u00e7\u00e3o se tornou curta. Imposs\u00edvel n\u00e3o pensar nos abrigos improvisados pelos imigrantes impedidos de viver nos pa\u00edses mais ricos e privilegiados economicamente.<\/p>\n<p><i>Contos Imorais &#8211; Parte I:<\/i> <i>Casa M\u00e3e <\/i>ficou para mim como o espet\u00e1culo mais provocador e emblem\u00e1tico que foi apresentado na MITsp. A imagem final com a exposi\u00e7\u00e3o das ru\u00ednas, em minha leitura, fez e faz todo sentido para se pensar o contexto atual (mesmo antes da pandemia do coronav\u00edrus): como lidar com o desconhecido? Diante do mundo em colapso, qual valor tem sido o mais preponderante: o econ\u00f4mico ou o humano? O que fazer diante de tantas vidas desamparadas? Ainda mais agora que um v\u00edrus nos amea\u00e7a indistintamente, rompendo as fronteiras que sempre constru\u00edmos para marcar as diferentes na\u00e7\u00f5es, eu me pergunto: quem ainda assim estar\u00e1 em melhores condi\u00e7\u00f5es de continuar vivo? Quem continuar\u00e1 respirando? Que mundo poder\u00e1 surgir depois de tudo isso?<\/p>\n<p>Como nos lembra o fil\u00f3sofo camaron\u00eas Achille Mbembe em seu recente texto intitulado <a href=\"https:\/\/www.buala.org\/pt\/mukanda\/o-direito-universal-a-respiracao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>O Direito Universal \u00e0 Respira\u00e7\u00e3o<\/i><\/a>, sobre a pandemia do\u00a0 coronav\u00edrus:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Antes deste v\u00edrus, a humanidade j\u00e1 estava amea\u00e7ada de asfixia. Se tiver que haver guerra, portanto, n\u00e3o deve ser tanto contra um v\u00edrus espec\u00edfico, mas contra tudo o que condena a maior parte da humanidade \u00e0 cessa\u00e7\u00e3o prematura da respira\u00e7\u00e3o, tudo o que basicamente ataca o trato respirat\u00f3rio, tudo isso que a longo prazo o capitalismo confinou segmentos inteiros de popula\u00e7\u00f5es e ra\u00e7as inteiras a uma respira\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e sem f\u00f4lego, a uma vida pesada. Mas, para sair disso, ainda \u00e9 necess\u00e1rio entender a respira\u00e7\u00e3o al\u00e9m de aspectos puramente biol\u00f3gicos, como o que \u00e9 comum a n\u00f3s e que, por defini\u00e7\u00e3o, escapa a todo c\u00e1lculo. Ao fazer isso, estamos falando de um direito universal de respira\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>Isso me leva a pensar em tr\u00eas espet\u00e1culos presentes na Mostra nos quais o que se v\u00ea em cena s\u00e3o vidas condenadas a uma \u201crespira\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e sem f\u00f4lego\u201d: <a href=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/tu-amaras\/\"><i>Tu Amar\u00e1s<\/i><\/a><i>, <\/i><a href=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/o-pedido\/\"><i>O Pedido<\/i><\/a><i> e <\/i><a href=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/burgerz\/\"><i>Burgerz<\/i><\/a><i>. <\/i>Em <i>Tu Amar\u00e1s<\/i>, o debate gira em torno de um grupo de extraterrestres que se estabeleceram na Terra e como n\u00f3s humanos agimos diante deles. Em <i>O Pedido<\/i>, a t\u00f4nica recai sobre as falhas e injusti\u00e7as perpetradas sobre a vida dos refugiados em busca de asilo pol\u00edtico. J\u00e1 em <i>Burgerz<\/i>, um ataque de \u00f3dio serve de mote para se mostrar como os corpos trans sobrevivem.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-large wp-image-9693\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632712473_49a82f5abe_o-1024x717.jpg\" alt=\"Tu Amar\u00e1s @Nereu Jr\" width=\"1024\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632712473_49a82f5abe_o-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632712473_49a82f5abe_o-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632712473_49a82f5abe_o-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632712473_49a82f5abe_o-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632712473_49a82f5abe_o-768x538.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632712473_49a82f5abe_o-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632712473_49a82f5abe_o-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632712473_49a82f5abe_o-1200x840.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49632712473_49a82f5abe_o-1536x1075.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>S\u00e3o trabalhos que falam da quest\u00e3o da alteridade, do medo e da intoler\u00e2ncia diante da diferen\u00e7a, da coloniza\u00e7\u00e3o e subalterniza\u00e7\u00e3o do outro, da criminaliza\u00e7\u00e3o do estrangeiro e do diferente como uma esp\u00e9cie de inimigo. Seja a partir de ra\u00e7a, identidade sexual ou cultura, h\u00e1 s\u00e9culos as sociedades ocidentais v\u00eam sempre buscando colocar o \u201cmal\u201d no outro, e, a partir de viol\u00eancias e segrega\u00e7\u00f5es, tentam garantir sua supremacia diante dos demais. A prote\u00e7\u00e3o e a nega\u00e7\u00e3o do outro n\u00e3o passam de proje\u00e7\u00f5es narc\u00edsicas que mais adoecem do que promovem sa\u00fade coletiva e planet\u00e1ria, e mais, ferem os direitos humanos, se convertendo em atos de perversidade no qual vidas s\u00e3o ceifadas.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-large wp-image-9836\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49646543566_3c87000da5_o-1024x717.jpg\" alt=\"O Pedido (The Claim) @Nereu Jr\" width=\"1024\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49646543566_3c87000da5_o-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49646543566_3c87000da5_o-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49646543566_3c87000da5_o-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49646543566_3c87000da5_o-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49646543566_3c87000da5_o-768x538.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49646543566_3c87000da5_o-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49646543566_3c87000da5_o-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49646543566_3c87000da5_o-1200x840.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49646543566_3c87000da5_o-1536x1075.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Pessoas negras, transexuais, mulheres, pobres, idosos, doentes, trabalhadores espoliados etc., na maioria das vezes, t\u00eam sua respira\u00e7\u00e3o interrompida por aqueles que acreditam que essas vidas n\u00e3o importam. \u00c9 como afirma Travis Alabanza, artista transativista, para seu interlocutor numa cena do espet\u00e1culo <i>Burgerz<\/i>: \u201cEu sinto medo de estar no mesmo espa\u00e7o com voc\u00ea. Voc\u00ea tem o meu pesco\u00e7o em suas m\u00e3os\u201d. Muitas vidas h\u00e1 s\u00e9culos s\u00e3o estranguladas sem que haja algum tipo de rea\u00e7\u00e3o, como\u00e7\u00e3o ou pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-large wp-image-10130\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49662340927_fcabdd27c4_o-1024x717.jpg\" alt=\"Burgerz @Nereu Jr\" width=\"1024\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49662340927_fcabdd27c4_o-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49662340927_fcabdd27c4_o-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49662340927_fcabdd27c4_o-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49662340927_fcabdd27c4_o-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49662340927_fcabdd27c4_o-768x538.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49662340927_fcabdd27c4_o-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49662340927_fcabdd27c4_o-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49662340927_fcabdd27c4_o-1200x840.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49662340927_fcabdd27c4_o-1536x1075.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>S\u00f3 agora, ao escrever este texto, me dou conta de que tudo n\u00e3o passa de quanto de ar nos \u00e9 permitido sorver. Uns poucos sempre puderam respirar tranquilamente enquanto para outros isso nunca foi poss\u00edvel. E \u00e9 no ar que compartilhamos hoje que se encontra um novo v\u00edrus que tanto nos amedronta e nos exige n\u00e3o somente cuidados e medidas de isolamento f\u00edsico, mas tamb\u00e9m reflex\u00f5es e transforma\u00e7\u00f5es urgentes. Que mundo poder\u00e1 surgir disso tudo? Quais cenas se constituir\u00e3o?<\/p>\n<p>Para finalizar retomo o t\u00edtulo deste ensaio: quando voltaremos a respirar juntos? N\u00e3o s\u00f3 no teatro, mas nas ruas, escolas, cidades, bares, camas etc.? Sei que essa pergunta n\u00e3o tem ainda uma resposta, mas nela minimamente respira uma fagulha de desejo. O desejo \u00e9 um dos melhores modos de reencontrar o futuro. Frente \u00e0 paralisia atual, desejar \u00e9 uma forma de movimento.<\/p>\n<p>Entre a mem\u00f3ria dos espet\u00e1culos vistos e a possibilidade daqueles que ainda vir\u00e3o, j\u00e1 consigo respirar um pouco melhor agora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando voltaremos a respirar juntos? por Cl\u00f3vis Domingos &nbsp; Escrevo esse texto buscando na mem\u00f3ria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":9679,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[8],"tags":[103,99,107,104,106],"yst_prominent_words":[],"acf":{"synopsis":"","age_restriction":"0","duration":"","director":"","teaser_url":"","payment_type":"free","purchase_url":"","places":false,"activities":"","payment_info":"","live":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10315"}],"collection":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10315"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10315\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9679"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10315"},{"taxonomy":"yst_prominent_words","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/yst_prominent_words?post=10315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}