{"id":10228,"date":"2020-05-15T17:34:23","date_gmt":"2020-05-15T20:34:23","guid":{"rendered":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/?p=10228"},"modified":"2020-05-15T17:35:35","modified_gmt":"2020-05-15T20:35:35","slug":"corpos-em-risco-na-7a-edicao-da-mitsp-por-nathalia-catharina-alves-oliveira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/corpos-em-risco-na-7a-edicao-da-mitsp-por-nathalia-catharina-alves-oliveira\/","title":{"rendered":"Corpos em risco na 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o da MITsp  <h6>por Nathalia Catharina Alves Oliveira<\/h6>"},"content":{"rendered":"<h3>Corpos em risco na 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o da MITsp<\/h3>\n<h6>por Nathalia Catharina Alves Oliveira<\/h6>\n<p><img class=\"alignnone size-large wp-image-10230\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/49650764183_ba9d35beb4_o-1024x717.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/49650764183_ba9d35beb4_o-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/49650764183_ba9d35beb4_o-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/49650764183_ba9d35beb4_o-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/49650764183_ba9d35beb4_o-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/49650764183_ba9d35beb4_o-768x538.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/49650764183_ba9d35beb4_o-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/49650764183_ba9d35beb4_o-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/49650764183_ba9d35beb4_o-1200x840.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/49650764183_ba9d35beb4_o-1536x1075.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Como escrever sobre o corpo e suas dramaturgias c\u00eanicas em um momento em que a simples exist\u00eancia e perman\u00eancia do corpo passa a ser nosso maior bem? Em um momento em que, imersos na pandemia mundial da Covid-19, o que estranhamente nos une \u2013 como ideal coletivo \u2013 \u00e9 a sobreviv\u00eancia do corpo\/dos corpos? De um ponto de vista rom\u00e2ntico e, talvez, para acalmar ou iludir o cora\u00e7\u00e3o, desejamos pensar que nesse momento somos todos iguais, dado que em princ\u00edpio todos os corpos est\u00e3o confinados em suas casas, assolados pelo temor de serem contaminados pelo v\u00edrus. Mas n\u00e3o somos todos iguais sob este estado de exce\u00e7\u00e3o mundial, salvo por um medo comum: a morte do corpo e a sensa\u00e7\u00e3o de risco constante. N\u00e3o somos iguais sob essa pandemia, primeiramente porque pa\u00edses como o Brasil \u2013 ideologicamente nomeado como um dos pa\u00edses emergentes do globo, com seu capitalismo neoliberal ascendente (dever\u00edamos dizer, portanto, com sua ascendente desigualdade social) \u2013 n\u00e3o tem casa para todos. Assim, o confinamento \u00e9 para poucos. E, quando sofremos de solid\u00e3o em nossas casas, devemos saber que sofrer de solid\u00e3o \u00e9 para uma fatia estreita da sociedade. Para aquelas e aqueles (me incluo) que t\u00eam onde se confinar. Para aquelas e aqueles que podem se proteger do risco da contamina\u00e7\u00e3o, para as pessoas com um pouco mais de recursos que podem adiar um pouco mais a morte. E aqui gostaria de falar sobre o risco, sobre o risco dos corpos em alguns dos espet\u00e1culos da 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o da MITsp, notando brevemente como os tra\u00e7os sociais de seus pa\u00edses de origem participam talvez da qualidade de risco \u2013 ou n\u00e3o \u2013 dos corpos em cena. N\u00e3o posso deixar de considerar que esses espet\u00e1culos est\u00e3o contextualizados nesse presente momento.<\/p>\n<p>Aqui, desejo fazer uma breve trajet\u00f3ria entre <a href=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/stabat-mater\/\"><i>Stabat Mater<\/i><\/a>, da brasileira Janaina Leite, <a href=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/tenha-cuidado\/\"><i>Tenha Cuidado<\/i><\/a>, da indiana Mallika Taneja, e <a href=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/multidao\/\"><i>Multid\u00e3o (Crowd)<\/i><\/a><i>, <\/i>da franco-austr\u00edaca Gis\u00e8le Vienne, tendo como recorte a ideia de risco que pode \u2013 ou n\u00e3o \u2013 estar presente nos mesmos. <i>Stabat Mater,<\/i> palestra-performance da pesquisadora, atriz e diretora paulistana Janaina Leite, tem como material inicial de pesquisa o pr\u00f3prio corpo da atriz como documento vivo, real. A performance de Janaina junto \u00e0 sua m\u00e3e em cena apresenta um corpo n\u00e3o representativo e em risco. Trata-se de um risco no sentido de ir ao extremo da linguagem performativa documental, nos convidando \u2013 a n\u00f3s, espectadoras e espectadores \u2013 a vivenciar esse risco. Janaina nos prop\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o clara com o contexto hist\u00f3rico brasileiro, paisagem social que d\u00e1 origem \u00e0 narrativa documental do seu corpo. A viol\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao corpo feminino \u00e9 marca secular do contexto brasileiro, o que me leva a pensar que o estado de exce\u00e7\u00e3o \u00e9 algo permanente em nosso pa\u00eds e que o risco da viol\u00eancia est\u00e1 normatizado em nossos corpos. O risco em <i>Stabat Mater<\/i> est\u00e1 colocado como visceralidade, tanto na vida quanto na obra da atriz, sendo o corpo seu sujeito manifesto. Aqui, a fronteira entre o risco em vida (relacionado sobretudo \u00e0 viol\u00eancia) e o risco do corpo em cena est\u00e1 mediada pela pr\u00f3pria linguagem performativa, com seu endere\u00e7amento direto ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Em <i>Tenha Cuidado, <\/i>da indiana Mallika Taneja, percebemos que o material de investiga\u00e7\u00e3o se assemelha bastante ao material de Janaina. Ambas tratam da viol\u00eancia sofrida por corpos femininos; Mallika em seu contexto indiano, Janaina no brasileiro. \u00c9 n\u00edtida, nesses dois pa\u00edses, a rela\u00e7\u00e3o entre avan\u00e7o econ\u00f4mico \u2013 para poucos \u2013, aumento da desigualdade social, aus\u00eancia de responsabilidade e cuidado social do Estado e viol\u00eancia contra o corpo da mulher. N\u00e3o \u00e9 de hoje, infelizmente, em nenhum dos dois contextos. Estamos em tr\u00e1gica \u201cascens\u00e3o\u201d da viol\u00eancia h\u00e1 algum tempo. Janaina e Mallika s\u00e3o duas \u2013 entre muitas de n\u00f3s \u2013 que atestam e\/ou sofreram agress\u00f5es (f\u00edsica, moral) por parte de outros homens. Isso n\u00e3o \u00e9 assunto privado, \u00e9 p\u00fablico. E \u00e9 esse car\u00e1ter de \u201cp\u00fablico\u201d que ambas as artistas parecem instaurar, desta vez, \u201cprotegidas\u201d do risco da viol\u00eancia a partir da media\u00e7\u00e3o da linguagem, da cena em si. A linguagem funciona assim, nos dois trabalhos, como mediadora do trauma (um trauma normatizado socialmente, vale dizer) e, sobretudo, como estrat\u00e9gia deflagradora de que o trauma de um corpo diz respeito a uma comunidade e que, portanto, implica uma responsabilidade comum e coletiva de todas n\u00f3s, sejamos n\u00f3s mulheres, sejamos n\u00f3s homens, sejamos n\u00f3s trans, sejamos n\u00f3s dirigentes, governantes, professoras, artistas, m\u00e3es, pais.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-large wp-image-9923\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49647833728_fac7e0dae8_o-1024x717.jpg\" alt=\"Tenha Cuidado (Be Careful) @Guto Muniz\" width=\"1024\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49647833728_fac7e0dae8_o-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49647833728_fac7e0dae8_o-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49647833728_fac7e0dae8_o-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49647833728_fac7e0dae8_o-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49647833728_fac7e0dae8_o-768x538.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49647833728_fac7e0dae8_o-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49647833728_fac7e0dae8_o-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49647833728_fac7e0dae8_o-1200x840.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49647833728_fac7e0dae8_o-1536x1075.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Vale notar algumas diferen\u00e7as entre os dois trabalhos, tra\u00e7os que tamb\u00e9m os tornam peculiares. Se no trabalho de Janaina o risco do corpo foi vivido em sua hist\u00f3ria real e em seu estatuto c\u00eanico esse risco permanece, dada a atitude performativa n\u00e3o representativa (endere\u00e7amento direto ao p\u00fablico, a presen\u00e7a de sua m\u00e3e, a cena de sexo real etc.), em <i>Tenha Cuidado<\/i>, Mallika est\u00e1 protegida n\u00e3o apenas por suas roupas, mas tamb\u00e9m por uma qualidade de estado corporal bastante distinta da de Janaina. De certo modo, em nenhum momento tememos pela vida de Mallika em cena. A linguagem, assim, o teatro, a caixa-preta, parece finalmente proteger o corpo de Mallika, como uma casa. H\u00e1 uma esp\u00e9cie de tradu\u00e7\u00e3o c\u00eanica do risco real que os corpos femininos sofrem na \u00cdndia. \u00c9 como se ali, ao longo da performance, fosse finalmente poss\u00edvel respirar. Na cena n\u00e3o h\u00e1 risco, mas, sim, um ansiado descanso, uma elabora\u00e7\u00e3o \u201cprotetora\u201d. O oposto ocorre na obra de Janaina, na qual o risco est\u00e1 tanto no documento real quanto em seu corpo em cena. A encena\u00e7\u00e3o e dramaturgia de <i>Stabat Mater<\/i> \u00e9 montada de forma que em nenhum momento nos sentimos protegidas, mas expostas ao mesmo trauma vivido. Sua beleza est\u00e1 no compartilhamento visceral da viol\u00eancia, enquanto que em <i>Tenha Cuidado<\/i> a beleza est\u00e1 na recupera\u00e7\u00e3o, cuidado e acolhimento que a dramaturgia da cena prop\u00f5e em rela\u00e7\u00e3o ao corpo da mulher. No entanto, o que aproxima os dois trabalhos \u00e9 o fato de apresentarem o corpo como emerg\u00eancia primeira e \u00faltima do risco, assim como territ\u00f3rio de insubordina\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia e tentativa incans\u00e1vel de subvers\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o do trauma. Igualmente, as duas obras localizam o risco do corpo feminino diante da viol\u00eancia como assunto coletivo e n\u00e3o privado.<\/p>\n<p>Diametralmente oposto \u00e9 o estatuto da obra <i>Multid\u00e3o (Crowd),<\/i> de Gis\u00e8le Vienne. Se nos dois trabalhos anteriores podemos ver o risco como puls\u00e3o fundamental, em <i>Multid\u00e3o<\/i> contemplamos corpos quase que espectrais, nos quais o risco parece existir em sua pr\u00f3pria negatividade, na aus\u00eancia mesma de risco, em uma esp\u00e9cie de prote\u00e7\u00e3o m\u00e1gica. Na obra de Gis\u00e8le, os corpos n\u00e3o se configuram como territ\u00f3rios viscerais, tang\u00edveis; n\u00e3o se endere\u00e7am ao p\u00fablico de forma direta, tal como ocorre nos dois trabalhos anteriores. Tampouco a dramaturgia corporal est\u00e1 interessada em performar documentos aut\u00eanticos, reais, ao contr\u00e1rio, os corpos de <i>Multid\u00e3o<\/i> est\u00e3o refinados e protegidos pela pr\u00f3pria impecabilidade t\u00e9cnica que acaba de certo modo tornando esses corpos impenetr\u00e1veis, quase virtuais. O trabalho franc\u00eas apresenta corpos de um contexto bastante distinto do nosso \u2013 brasileiro \u2013 ou do indiano, de Mallika Taneja. Se nessas duas outras paisagens s\u00f3cio-pol\u00edtico-econ\u00f4micas o risco \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de suas exist\u00eancias, na obra de Gis\u00e8le, esse mesmo par\u00e2metro n\u00e3o pode ser observado, a n\u00e3o ser em sua via negativa, no sentido de sua inoperabilidade. O preciosismo milim\u00e9trico da dan\u00e7a, o dom\u00ednio t\u00e9cnico e coreogr\u00e1fico, assim como a m\u00fasica hipn\u00f3tica e cont\u00ednua (tal como a de uma festa <i>rave)<\/i> parece criar um certo inv\u00f3lucro, uma esp\u00e9cie de mascaramento fantasm\u00e1tico dos corpos das\/dos int\u00e9rpretes, tornando esses corpos um territ\u00f3rio intoc\u00e1vel e nesse sentido, ausente de qualquer risco: sem risco de ser afetado. Contrariamente \u00e0 ideia do risco, que dialeticamente sup\u00f5e o corpo como lugar de desejo, afet\u00e1vel, como presen\u00e7a a ser preservada e territ\u00f3rio de insurrei\u00e7\u00e3o (sobretudo diante de um estado de exce\u00e7\u00e3o permanente da viol\u00eancia), o que est\u00e1 colocado em <i>Multid\u00e3o <\/i>\u00e9 um corpo que parece j\u00e1 ter desaparecido; corpos como espectros de uma vida que \u2013 qui\u00e7\u00e1 \u2013 em algum momento existiu. O corpo em <i>Multid\u00e3o<\/i> apresenta-se assim como presen\u00e7a negativada e, enquanto aus\u00eancia, o risco simplesmente n\u00e3o seria elemento constituinte, tampouco observ\u00e1vel.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-large wp-image-9599\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49625711822_e01e88562d_o-1024x717.jpg\" alt=\"Multud\u00e3o (Crowd) @Silvia Machado\" width=\"1024\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49625711822_e01e88562d_o-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49625711822_e01e88562d_o-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49625711822_e01e88562d_o-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49625711822_e01e88562d_o-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49625711822_e01e88562d_o-768x538.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49625711822_e01e88562d_o-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49625711822_e01e88562d_o-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49625711822_e01e88562d_o-1200x840.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49625711822_e01e88562d_o-1536x1075.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o me parece casual que as obras brasileira e indiana tenham o risco como elemento fundamental da cria\u00e7\u00e3o e assunto dramat\u00fargico e que o espet\u00e1culo franc\u00eas nos mostre um corpo virtualizado, impenetr\u00e1vel, no qual n\u00e3o parece haver espa\u00e7o para o risco. Nos trabalhos de Janaina e Mallika, o corpo existe como local de emerg\u00eancia do risco, como sujeito a ser protegido e como territ\u00f3rio fundamental de supera\u00e7\u00e3o e insubordina\u00e7\u00e3o. J\u00e1 em Gis\u00e8le, o que talvez vejamos seja um corpo cujo risco n\u00e3o est\u00e1 posto em quest\u00e3o, cuja pr\u00f3pria subjetividade se tornou espectral; seus corpos parecem, antes, marcados por um certo alheamento hist\u00f3rico, cujo confinamento est\u00e1 eternizado.<\/p>\n<p>Se o corpo \u00e9 a primeira e \u00faltima casa que temos, nossa subjetividade em si, aquilo que nos resta, nosso primeiro e \u00faltimo bem, aquilo que tememos perder (inst\u00e2ncia primeira e \u00faltima de desejo, risco e preserva\u00e7\u00e3o), me parece louv\u00e1vel a presen\u00e7a desses tr\u00eas espet\u00e1culos na MITsp deste ano, nos dando a chance de olhar para nossos corpos em risco no presente estado de exce\u00e7\u00e3o que vivemos e, ao mesmo tempo, de ampliar nosso olhar sobre os riscos cotidianos que h\u00e1 tempos sofremos e a viol\u00eancia como o mais perverso v\u00edrus. Para al\u00e9m disso, o que me parece inequ\u00edvoco aos tr\u00eas trabalhos \u00e9 o fato de trazerem o corpo como territ\u00f3rio fiel e primeiro de nossos tra\u00e7os e rastros sociais, como sujeito de reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e \u00e9tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corpos em risco na 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o da MITsp por Nathalia Catharina Alves Oliveira Como escrever [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":10230,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[8],"tags":[167,117,102],"yst_prominent_words":[],"acf":{"synopsis":"","age_restriction":"0","duration":"","director":"","teaser_url":"","payment_type":"free","purchase_url":"","places":false,"activities":"","payment_info":"","live":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10228"}],"collection":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10228"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10228\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10230"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10228"},{"taxonomy":"yst_prominent_words","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/yst_prominent_words?post=10228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}