{"id":10157,"date":"2020-03-25T12:25:25","date_gmt":"2020-03-25T15:25:25","guid":{"rendered":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/?p=10157"},"modified":"2020-03-25T12:25:25","modified_gmt":"2020-03-25T15:25:25","slug":"quarantine-em-sao-paulo-dialogo-radical-ou-apaziguamento-por-rodrigo-nascimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/quarantine-em-sao-paulo-dialogo-radical-ou-apaziguamento-por-rodrigo-nascimento\/","title":{"rendered":"Quarantine em S\u00e3o Paulo: Di\u00e1logo radical ou apaziguamento? <h6>por Rodrigo Nascimento<\/h6>"},"content":{"rendered":"<h3>Quarantine em S\u00e3o Paulo: Di\u00e1logo radical ou apaziguamento?<\/h3>\n<h6>por Rodrigo Nascimento<\/h6>\n<p><img class=\"alignnone wp-image-10155 size-large\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49629623858_1aa706bb97_o-1024x717.jpg\" alt=\"Olho no Olho: Quem Consegue Ser Vis\u00edvel na S\u00e3o Paulo de Hoje? @Nereu Jr\" width=\"1024\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49629623858_1aa706bb97_o-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49629623858_1aa706bb97_o-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49629623858_1aa706bb97_o-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49629623858_1aa706bb97_o-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49629623858_1aa706bb97_o-768x538.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49629623858_1aa706bb97_o-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49629623858_1aa706bb97_o-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49629623858_1aa706bb97_o-1200x840.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49629623858_1aa706bb97_o-1536x1075.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>No Brasil de hoje, qual a possibilidade de encontrarmos espa\u00e7os reais de escuta e de debate? Fora das conhecidas \u201cbolhas\u201d das redes sociais, de c\u00edrculos de conv\u00edvio e de trabalho, com que frequ\u00eancia pessoas de pontos de vista diferentes interagem umas com as outras? E, diante da possibilidade do di\u00e1logo, quais as chances de que os interlocutores em jogo tenham seus pontos de vista considerados como leg\u00edtimos, sem que a discuss\u00e3o antes culmine na redu\u00e7\u00e3o violenta do outro?<\/p>\n<p>Em um per\u00edodo no qual ascendem no mundo discursos e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de veio fascista, que se pautam pela aniquila\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a, a resposta a tais quest\u00f5es se torna ainda mais complexa. Afinal, como dialogar com algu\u00e9m cujas opini\u00f5es eventualmente flertam com a pr\u00f3pria nega\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia do interlocutor?\u00a0 De algum modo, \u00e9 sobre perguntas desse tipo que o grupo brit\u00e2nico Quarantine, fundado em 1998, tem se debru\u00e7ado ao longo dos anos. Em seu trabalho, que mistura dan\u00e7a, v\u00eddeo, teatro e performance, os limites entre o real e a representa\u00e7\u00e3o s\u00e3o frequentemente testados, ao mesmo tempo em que o grupo liderado por Richard Gregory d\u00e1 visibilidade ao discurso e ao cotidiano de pessoas comuns, sobretudo aquelas historicamente distantes do meio art\u00edstico e sem voz na sociedade (seja por pertencerem a grupos sociais desprestigiados, seja porque suas ideias, desalinhadas ou incoerentes, costumam ser rejeitadas nos meios progressistas).<\/p>\n<p>Para o grupo, tais vozes s\u00e3o tidas como dissidentes por n\u00e3o estarem em sintonia com o que se v\u00ea na m\u00eddia de massa ou no discurso de lideran\u00e7as pol\u00edticas, mas por pertencerem a sujeitos desconsiderados no debate p\u00fablico. Sem a intermedia\u00e7\u00e3o de uma narrativa c\u00eanica pr\u00e9via, eles s\u00e3o convidados a compartilhar mem\u00f3rias pessoais, depoimentos e opini\u00f5es sobre a realidade, tudo a partir de situa\u00e7\u00f5es prosaicas, como uma refei\u00e7\u00e3o ao redor de uma mesa de restaurante, uma partida de sinuca em um sal\u00e3o de jogos ou uma intera\u00e7\u00e3o divertida em uma sess\u00e3o de karaok\u00ea. A partir da\u00ed, nesses encontros, o Quarantine mistura artistas e n\u00e3o artistas e estimula o di\u00e1logo radical, aberto \u00e0 possibilidade da diverg\u00eancia e do conflito. O fundamental parece ser o reconhecimento e a garantia do espa\u00e7o para a emerg\u00eancia da diferen\u00e7a e das nuances \u2013 s\u00f3 assim, conhecendo em pormenor as formas de percep\u00e7\u00e3o do outro, alguma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica coletiva, realmente democr\u00e1tica e n\u00e3o autorit\u00e1ria, poder\u00e1 ser forjada.<\/p>\n<p>Tal programa j\u00e1 foi esbo\u00e7ado em experimenta\u00e7\u00f5es como <i>White Trash<\/i> (2004), considerado por Richard Gregoy um \u201cbal\u00e9 sujo da realidade\u201d. Ali, sete jovens brancos da classe oper\u00e1ria brit\u00e2nica criam e performam ao redor de uma mesa de sinuca. Conversam sobre seu cotidiano e falam livremente sobre suas vis\u00f5es de mundo. O mesmo ocorre em <i>Summer<\/i> (2014), performance na qual dezenas de pessoas das mais variadas idades s\u00e3o colocadas no palco para responder a quest\u00f5es que nunca ouviram antes e receber instru\u00e7\u00f5es do p\u00fablico. Colocam-se, desse modo, em uma situa\u00e7\u00e3o de desnudamento e risco. Similarmente, em <i>No Such Thing<\/i>, performance-evento que ocorre mensalmente desde 2012 em um caf\u00e9 de Manchester, clientes das mais variadas origens e condi\u00e7\u00f5es sociais falam sobre um assunto do momento. Em troca, ganham um prato de curry oferecido pelos pr\u00f3prios membros do Quarantine. Em suma, pessoas comuns postas em uma situa\u00e7\u00e3o que borra as fronteiras entre o n\u00e3o artista e o artista, entre o performer e o p\u00fablico, e de algum modo s\u00e3o estimuladas a falar sobre si e sobre o que pensam. Ao agir dessa maneira, o grupo parece operar no sentido de desnaturalizar a pr\u00f3pria pr\u00e1tica c\u00eanica e tornar vis\u00edvel o que parecia antes invis\u00edvel dentro do sistema democr\u00e1tico tradicional: a diverg\u00eancia e as contradi\u00e7\u00f5es que habitam o comum.<\/p>\n<p><b>Olho no olho?<\/b><\/p>\n<p>A resid\u00eancia art\u00edstica realizada pelo Quarantine nesta edi\u00e7\u00e3o da MITsp, intitulada <a href=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/residencia-artistica-com-o-grupo-ingles-quarantine\/\">Olho no Olho: Quem Consegue Ser Vis\u00edvel na S\u00e3o Paulo de Hoje?<\/a>, propunha-se a absorver a complexidade social de S\u00e3o Paulo, maior cidade brasileira, de quebra, para n\u00f3s, havia a possibilidade de testar a potencialidade pol\u00edtica do di\u00e1logo e do conflito em tempos de bolsonarismo. Nos primeiros dias, ao longo das atividades realizadas no Centro Cultural S\u00e3o Paulo (CCSP), o grupo compartilhou parte de suas pr\u00e1ticas e de seu instrumental com os artistas inscritos para, em seguida, estimular a integra\u00e7\u00e3o de pessoas comuns, sem experi\u00eancia pr\u00e9via com as artes c\u00eanicas. Tal integra\u00e7\u00e3o terminaria com uma instala\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica apresentada por dois dias, na qual a participa\u00e7\u00e3o dos espectadores seria estimulada.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o \u00e0 qual o p\u00fablico teve acesso se constituiu de uma s\u00e9rie de atividades que ocorriam quase simultaneamente durante duas horas. Uma esp\u00e9cie de micro-parada circulou pelos corredores do CCSP anunciando \u201cVai come\u00e7ar\u201d. O que come\u00e7aria? Seria preciso de algum modo seguir o grupo para sab\u00ea-lo? Artistas e n\u00e3o artistas logo se dispersaram e passaram a circular pelas rampas de modo impass\u00edvel, sem nenhum gesto teatralizado. A movimenta\u00e7\u00e3o sugeria que n\u00e3o dever\u00edamos esperar nenhuma interven\u00e7\u00e3o espetacularizada, mas antes uma reeduca\u00e7\u00e3o do olhar: ser\u00edamos capazes de \u201cver\u201d o que acontece? Qualquer um ali naquele espa\u00e7o p\u00fablico seria um poss\u00edvel interlocutor? Quem \u00e9 quem nesse espa\u00e7o?<\/p>\n<p>Um grupo de pessoas se posiciona em uma parede, cada um de modo razoavelmente equidistante do outro, olhando para frente e em sil\u00eancio. Uma placa indica que o contato visual \u00e9 bem-vindo. Assim colocados, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel identificar quem \u00e9 artista e quem n\u00e3o \u00e9. Aos poucos, os passantes n\u00e3o s\u00f3 estabelecem contato visual como tamb\u00e9m come\u00e7am pequenas conversas sobre os mais variados assuntos. O tom geral \u00e9 de di\u00e1logo amistoso. Ao mesmo tempo, outros integrantes da resid\u00eancia retiram cartazes de um pequeno c\u00f4modo no qual dezenas de cartolinas exp\u00f5em as mais variadas frases: \u201cN\u00f3s votamos no Bolsonaro\u201d, \u201cEste lugar \u00e9 legal para passear\u201d, \u201cCinco jovens j\u00e1 s\u00e3o uma conspira\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cOs gays se sentem melhor nesta cidade\u201d&#8230; Tudo sugerindo um turbilh\u00e3o interativo pr\u00e9vio \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o que foi materializado ali, naquelas frases que agora povoavam o pavilh\u00e3o. Dispostos daquela maneira e circulando aleatoriamente pelas m\u00e3os dos performers pelo espa\u00e7o do Centro Cultural, os cartazes colocavam lado a lado senten\u00e7as muitas vezes opostas ideologicamente, sem criar hierarquias. Somos assim interpelados por coment\u00e1rios poss\u00edveis de serem ouvidos ou lidos, mas com os quais nem sempre tomamos contato no cotidiano.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone wp-image-10153 size-large\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49630149041_166c389cd2_o-1024x717.jpg\" alt=\"Olho no Olho: Quem Consegue Ser Vis\u00edvel na S\u00e3o Paulo de Hoje? @Nereu Jr\" width=\"1024\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49630149041_166c389cd2_o-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49630149041_166c389cd2_o-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49630149041_166c389cd2_o-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49630149041_166c389cd2_o-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49630149041_166c389cd2_o-768x538.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49630149041_166c389cd2_o-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49630149041_166c389cd2_o-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49630149041_166c389cd2_o-1200x840.jpg 1200w, https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/49630149041_166c389cd2_o-1536x1075.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Simultaneamente, inicia-se jogo no c\u00f4modo ao lado, no qual artistas, n\u00e3o artistas e passantes fazem entrevistas-rel\u00e2mpago uns com os outros. Apenas uma pergunta, profunda ou banal, projetada nas caixas de som, em volume alto. O acaso pode colocar frente a frente pessoas que muito provavelmente n\u00e3o interagiriam umas com as outras em seu dia a dia. Essa din\u00e2mica se prolonga por duas horas, sem ambi\u00e7\u00e3o de conclus\u00e3o. Mais do que um fechamento, o que a interven\u00e7\u00e3o sugere \u00e9 um processo din\u00e2mico, que aposta no risco da intera\u00e7\u00e3o sem roteiro \u2013 aquela na qual poderemos de algum modo ser tirados de nossa zona de conforto para responder a uma pergunta inesperada, ler uma frase indesejada ou ouvir um relato de vida surpreendentemente diverso daqueles com os quais estamos acostumados. Estruturalmente, o conjunto parece p\u00f4r em xeque n\u00e3o s\u00f3 os limites entre o que \u00e9 representa\u00e7\u00e3o e o que \u00e9 realidade, como tamb\u00e9m nossas posi\u00e7\u00f5es definitivas sobre n\u00f3s mesmos e o mundo.<\/p>\n<p>Por outro lado, a quest\u00e3o que se imp\u00f5e \u00e9 se a radicalidade \u2013 e o risco \u2013 do di\u00e1logo propostos pelo Quarantine s\u00e3o levados a cabo. Sabe-se, na esteira de Chantal Mouffe, cientista pol\u00edtica belga, que a democracia liberal, apesar de apregoar a universalidade da liberdade, tem dificuldade de abrigar a diverg\u00eancia e rapidamente responde ao conflito com viol\u00eancia institucional, justamente porque na base do conflito muitas vezes est\u00e1 a pr\u00f3pria desigualdade econ\u00f4mica. Ao tentar tornar produtivo aquilo que nosso atual modelo pol\u00edtico parece sufocar, o grupo busca as nuances de discursos e valoriza momentos de significa\u00e7\u00e3o que podem brotar do acaso, aproximando-se daquilo que Mouffe chama de \u201cpluralismo agon\u00edstico\u201d. Tal express\u00e3o sintetiza a ideia de que o espa\u00e7o pol\u00edtico \u00e9 essencialmente tenso, e uma democracia radical e plural deve se basear n\u00e3o na atitude do antagonista, para quem n\u00e3o h\u00e1 pontos de contato com o outro, mas na atitude do agonista, que reconhece a legitimidade de seu oponente e o trata como advers\u00e1rio, n\u00e3o como inimigo.<\/p>\n<p>No entanto, ao restringir todo o processo de resid\u00eancia ao espa\u00e7o do CCSP, \u00e9 poss\u00edvel que houvesse o interesse de participa\u00e7\u00e3o de pessoas que j\u00e1 frequentavam o centro da cidade, excluindo outras regi\u00f5es e, de algum modo, as pessoas dali oriundas. Assim, fica a d\u00favida se o grupo conseguiu realmente engajar um p\u00fablico t\u00e3o variado ao seu experimento est\u00e9tico-pol\u00edtico. Foram integrados \u00e0 resid\u00eancia os trabalhadores e trabalhadoras da periferia ou as pessoas das mais variadas religi\u00f5es e espectros ideol\u00f3gicos? Provavelmente n\u00e3o, pois essa pluralidade radical n\u00e3o ficou t\u00e3o expl\u00edcita na apresenta\u00e7\u00e3o realizada durante a MITsp. Houve disposi\u00e7\u00e3o ao risco de encontrar aqueles que est\u00e3o fora de um espa\u00e7o que geralmente abriga sujeitos simp\u00e1ticos \u00e0s pol\u00edticas culturais, \u00e0 diversidade e at\u00e9 a certo progressismo pol\u00edtico?<\/p>\n<p>Talvez por n\u00e3o mergulhar de verdade no espa\u00e7o da cidade, o grupo n\u00e3o tenha conseguido absorver a necess\u00e1ria pluralidade que aparentemente visava encontrar e, assim, frutificar na tens\u00e3o. Fica a d\u00favida se por tr\u00e1s da proposta do Quarantine n\u00e3o h\u00e1 certa inoc\u00eancia pacificadora. O desejo de criar espa\u00e7os de di\u00e1logos poss\u00edveis \u00e9 nobre e necess\u00e1rio, mas parece superficial se n\u00e3o leva em conta as tens\u00f5es estruturais que marcam uma sociedade profundamente desigual, como a brasileira. E talvez por isso tenha faltado certa vibra\u00e7\u00e3o est\u00e9tica na interven\u00e7\u00e3o do grupo \u2013 justamente porque n\u00e3o estimulou a fundo a pr\u00f3pria vibra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Restritos a uma din\u00e2mica muito pessoalizada, baseada quase que unicamente no contato pessoal e afetivo ao longo da apresenta\u00e7\u00e3o, o grupo parece ter deixado de lado uma dimens\u00e3o que n\u00e3o pode ser ignorada em S\u00e3o Paulo e no Brasil: a visibilidade e a invisibilidade dos sujeitos dependem n\u00e3o s\u00f3 de uma disposi\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo, mas de uma disposi\u00e7\u00e3o ao rompimento de barreiras econ\u00f4micas e sociais. Evidentemente, a resid\u00eancia do Quarantine n\u00e3o se prop\u00f5e a resolver essa quest\u00e3o brasileira, mas parece ter faltado disposi\u00e7\u00e3o para abra\u00e7ar a tens\u00e3o inerente ao processo de busca de alternativas para esse rompimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quarantine em S\u00e3o Paulo: Di\u00e1logo radical ou apaziguamento? por Rodrigo Nascimento No Brasil de hoje, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":10153,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[8],"tags":[],"yst_prominent_words":[],"acf":{"synopsis":"","age_restriction":"0","duration":"","director":"","teaser_url":"","payment_type":"free","purchase_url":"","places":false,"activities":"","payment_info":"","live":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10157"}],"collection":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10157"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10157\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10153"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10157"},{"taxonomy":"yst_prominent_words","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2020\/wp-json\/wp\/v2\/yst_prominent_words?post=10157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}