{"id":5051,"date":"2019-03-26T12:25:15","date_gmt":"2019-03-26T15:25:15","guid":{"rendered":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/?p=5051"},"modified":"2019-03-31T10:14:42","modified_gmt":"2019-03-31T13:14:42","slug":"quem-tem-o-privilegio-de-reivindicar-singularidade-por-deise-de-brito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/quem-tem-o-privilegio-de-reivindicar-singularidade-por-deise-de-brito\/","title":{"rendered":"Quem tem o privil\u00e9gio de reivindicar a singularidade? <h6>Por Deise de Brito<\/h6>"},"content":{"rendered":"<h3>Quem tem o privil\u00e9gio de reivindicar a singularidade?<\/h3>\n<h4>Cr\u00edtica do espet\u00e1culo<strong><em> Protocolo Elefante<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>Por Deise de Brito<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-full wp-image-5053\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0040.jpg\" alt=\"Protocolo Elefante\" width=\"886\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0040-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0040-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0040-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0040-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0040-768x537.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0040-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0040.jpg 886w\" sizes=\"(max-width: 886px) 100vw, 886px\" \/><\/p>\n<p><strong>Sensa\u00e7\u00f5es.<\/strong> Somos atravessadxs por elas quando apreciamos uma obra art\u00edstica. S\u00e3o as sensa\u00e7\u00f5es que nos fazem \u201cser\u201d o espet\u00e1culo no momento em que ele \u00e9 apresentado. As rela\u00e7\u00f5es dos nossos sentidos com a obra dizem que tipo de la\u00e7o criamos com o trabalho. Esse pode ser um \u201cla\u00e7o-acolhimento\u201d ou \u201cla\u00e7o-recusa\u201d.<\/p>\n<p>Assistindo <em>Protocolo Elefante<\/em>, do grupo catarinense Cena 11, fui, naturalmente, tomada por sensa\u00e7\u00f5es que ora me aproximavam da coreografia, ora me afastavam. Em curtos momentos cochilei. Mas, isso n\u00e3o foi um \u201cla\u00e7o-recusa\u201d. Pelo contr\u00e1rio, a atmosfera sonora em conjunto com ritos individuais e coletivos que o grupo prop\u00f5e em momentos do espet\u00e1culo, impeliu-me a uma visita a mim mesma. Conformando com as palavras do diretor Alejandro Ahmed, que, durante o Pensamento em Processo, disse a frase \u201cSer um visitante de si mesmo\u201d, para ilustrar um dos significados do trabalho para o grupo.<\/p>\n<p>O trabalho \u201cprop\u00f5e uma met\u00e1fora de separa\u00e7\u00e3o e ex\u00edlio a partir da a\u00e7\u00e3o de afastamento e de isolamento do elefante na imin\u00eancia de sua morte.\u201d (retirado do cat\u00e1logo da 6\u00ba edi\u00e7\u00e3o MITsp). Usando a met\u00e1fora de afastamento do elefante, durante o processo de constru\u00e7\u00e3o da obra, cada integrante revisitou as suas rela\u00e7\u00f5es com o grupo, gerando reflex\u00f5es acerca das ideias de mem\u00f3ria, vest\u00edgio, singularidade, identidade e coletivo. Como pensar na singularidade e no coletivo ao mesmo tempo, foi uma das quest\u00f5es levantadas no processo criativo, segundo Ahmed.<\/p>\n<p>Remodelando-se ao Teatro Sesi-SP, xs int\u00e9rpretes ocupam palco e plateia, disformando seus corpos. Coreografando sons no sil\u00eancio com Hedra Rockenbach, que assina a dire\u00e7\u00e3o de trilha, ilumina\u00e7\u00e3o e performance, xs dan\u00e7arinxs lan\u00e7am-se no espa\u00e7o em giros, quedas, inclina\u00e7\u00f5es, tor\u00e7\u00f5es e outros vocabul\u00e1rios de movimento comuns que s\u00e3o encontrados na dan\u00e7a ou dan\u00e7as contempor\u00e2neas. Cada int\u00e9rprete tem um bast\u00e3o de ferro com o qual interage. Todos os bast\u00f5es s\u00e3o iguais, estabelecendo-se como uma das unidades daquele coletivo.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-full wp-image-5052\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0642.jpg\" alt=\"Protocolo Elefante\" width=\"886\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0642-200x140.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0642-300x210.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0642-400x280.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0642-600x420.jpg 600w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0642-768x537.jpg 768w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0642-800x560.jpg 800w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/BR-Protocolo-Elefante_Grupo-Cena-11-Cia-de-Dan\u00e7a_Foto-Guto-Muniz_0642.jpg 886w\" sizes=\"(max-width: 886px) 100vw, 886px\" \/><\/p>\n<p><strong>Sensa\u00e7\u00f5es II.<\/strong> Nos momentos finais do espet\u00e1culo, por conta dos efeitos de ilumina\u00e7\u00e3o, a plateia \u00e9 atravessada pelo que eu chamo de uma mistura de imensid\u00e3o e segredo. A ilumina\u00e7\u00e3o materialmente perpassa o p\u00fablico. Ao final, xs int\u00e9rpretes saem do palco e n\u00e3o retornam para os agradecimentos. Continuemos com nossas sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Durante o di\u00e1logo p\u00f3s espet\u00e1culo, um jovem negro que estava na plateia, apresenta a sua sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o atravessamento, usando o texto da sinopse, para expor o seu la\u00e7o com a obra. N\u00e3o conseguirei escrever a quest\u00e3o daquele jovem de forma literal. Mas, recordo-me de ele relatar a aus\u00eancia de pessoas negras no Cena 11, o que dificultava o cruzamento do trabalho com o seu corpo. Alejandro Ahmed responde abordando a respeito da \u201cpot\u00eancia do vazio\u201d, tentando argumentar a diferen\u00e7a entre aus\u00eancia e apagamento. Antes, ele colocou que n\u00e3o existiam elefantes s\u00f3 na \u00c1frica, que eles eram encontrados na Tail\u00e2ndia, tamb\u00e9m. Essa resposta, com fios educados numa sociedade racista, vem num tom cordial para justificar as aus\u00eancias de pessoas negras no espet\u00e1culo <em>Protocolo Elefante<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Sensa\u00e7\u00f5es III.<\/strong> A pergunta do rapaz e a resposta do diretor deslocam as minhas sensa\u00e7\u00f5es para outro lugar. O meu territ\u00f3rio de artista negra. Pergunto-me: Como n\u00f3s, pessoas negras, podemos exercer a nossa singularidade, se, antes, precisamos reivindicar nossa humanidade? N\u00e3o temos o privil\u00e9gio do exerc\u00edcio m\u00ednimo da nossa singularidade. H\u00e1 outras urg\u00eancias. Como muitxs outrxs, Alejandro Ahmed n\u00e3o quer olhar pra isso. A resposta dele evidenciou tal fato.<\/p>\n<p><strong>Sensa\u00e7\u00f5es IV.<\/strong> Agrade\u00e7o a quest\u00e3o do jovem porque as minhas sensa\u00e7\u00f5es foram revisitadas. Afastei-me delas para retornar. Xs 11 integrantes brancxs em cena no espet\u00e1culo <em>Protocolo Elefante<\/em> podem abordar as suas singularidades. Podem se perguntar a respeito do que \u00e9 pertencer ou da necessidade de pertencimento, inclusive questionar suas identidades, porque, no Brasil, os brancos n\u00e3o se racializam. Assim, eles t\u00eam o privil\u00e9gio de tratar qualquer pergunta no palco, principalmente, quando possuem boas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o para tal. E quando n\u00f3s, popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o brancas e n\u00e3o normativas, reivindicamos respeito, somos pejorativamente chamadxs de \u201cvitimistas\u201d. Do \u201cla\u00e7o-acolhimento\u201d fui empurrada para o \u201cla\u00e7o-recusa\u201d. Eu recuso <em>Protocolo Elefante<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem tem o privil\u00e9gio de reivindicar a singularidade? 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