{"id":2738,"date":"2019-02-10T20:51:47","date_gmt":"2019-02-10T22:51:47","guid":{"rendered":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/?p=2738"},"modified":"2019-03-28T16:05:16","modified_gmt":"2019-03-28T19:05:16","slug":"entrevista-com-marta-soares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/entrevista-com-marta-soares\/","title":{"rendered":"Entrevista com Marta Soares &#8211;  Artista em Foco MITsp"},"content":{"rendered":"<h3>Entrevista com Marta Soares &#8211; Artista em Foco MITsp<\/h3>\n<p><em><strong>Por Julia Guimar\u00e3es, Luciana Romagnolli e Ivana Menna Barreto<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 afirmou em entrevistas que sua dan\u00e7a responde ao trauma de uma inf\u00e2ncia em uma cidade interiorana e patriarcal, durante a ditadura militar: \u201cAcredito ser esse um dos motivos pelo qual venho criando dan\u00e7as sobre a impossibilidade de dan\u00e7ar\u201d, disse. De que maneira seu contexto de vida atual interfere nesse passado e tamb\u00e9m afeta seu modo de dan\u00e7ar?<\/strong><\/p>\n<p>Eu cresci em Piedade, uma cidade do interior de S\u00e3o Paulo. Tive uma educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o r\u00edgida, mas com\u00a0aus\u00eancia de di\u00e1logo, de questionamentos e\u00a0principalmente sem acesso a sentimentos no \u00e2mbito familiar, escolar e social. O que a meu ver reflete o regime pol\u00edtico daquele momento, a ditadura. Me lembro do momento em que senti pela primeira vez o peso do meu corpo em um piso de dan\u00e7a, quando j\u00e1 jovem, em S\u00e3o Paulo, e me dei conta de que talvez,\u00a0nesse lugar,\u00a0eu poderia entrar em contato com meus sentimentos. Foi esse um dos motivos pelo qual prossegui na dan\u00e7a. Quando comecei a criar, as quest\u00f5es biogr\u00e1ficas foram emergindo e influenciam ainda hoje, consciente ou inconscientemente, minhas escolhas tem\u00e1ticas. Portanto, o processo de cria\u00e7\u00e3o funciona no presente como uma\u00a0via para\u00a0trabalhar\u00a0traumas passados e ressignific\u00e1-los.<\/p>\n<p><strong>Como\u00a0no corpo se relacionam, na sua concep\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a, o conceito de \u201cinforme\u201d (essa dissolu\u00e7\u00e3o de limites entre artes, g\u00eaneros e entre o corpo e o entorno), a impossibilidade de dan\u00e7ar e as restri\u00e7\u00f5es impostas ao corpo (como a banheira de <em>O Banho<\/em> e a areia de <em>Vest\u00edgios<\/em>)?\u00a0 \u00a0<\/strong><\/p>\n<p><img class=\"wp-image-5114 alignleft\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/MARTA-SOARES_JOAO-CALDAS02.jpg\" alt=\"MARTA SOARES -\u00a9Joao Caldas\" width=\"401\" height=\"601\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/MARTA-SOARES_JOAO-CALDAS02-200x300.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/MARTA-SOARES_JOAO-CALDAS02-400x600.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/MARTA-SOARES_JOAO-CALDAS02.jpg 443w\" sizes=\"(max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/>O conceito \u201cinforme\u201d est\u00e1 presente no meu trabalho atrav\u00e9s\u00a0de opera\u00e7\u00f5es que\u00a0transgridem\u00a0a l\u00f3gica formal \u2013 esta depende da distin\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00f5es categ\u00f3ricas como dentro\/fora, figura\/fundo, homem\/mulher, vivo\/morto. Segundo a cr\u00edtica de arte Rosalind Krauss, \u201c\u00c9 a transgress\u00e3o dessas\u00a0distin\u00e7\u00f5es, a\u00a0imagina\u00e7\u00e3o perigosa dos seus colapsos, que produz o informe\u201d.<\/p>\n<p>O solo <em>Les Poup\u00e9es<\/em>, inspirado nas fotografias de bonecas de Hans Bellmer, explora\u00a0o\u00a0\u201cinforme\u201d pelo\u00a0movimento,\u00a0atrav\u00e9s da dissolu\u00e7\u00e3o da distin\u00e7\u00e3o entre os estados animado e inanimado. O espet\u00e1culo tem como modelo um manequim, pois este transmite um profundo sentimento de morte e a condi\u00e7\u00e3o dos mortos. Nele, a explora\u00e7\u00e3o do \u201cinforme\u201d\u00a0tamb\u00e9m ocorre no figurino, que anula partes do corpo,\u00a0borra a diferencia\u00e7\u00e3o entre os g\u00eaneros masculino\/feminino,\u00a0e limita seus movimentos, possibilitando a gera\u00e7\u00e3o de novas\u00a0imagens e significados \u00e0 obra.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o\u00a0coreogr\u00e1fica <em>O Banho<\/em>, cujo ponto de partida \u00e9 a Casa de Dona Yay\u00e1, um hospital psiqui\u00e1trico privado, tamb\u00e9m explora a indistin\u00e7\u00e3o\u00a0entre os estados animado e inanimado. Em uma banheira, microcosmo da casa da Dona Yay\u00e1, o corpo da performer, em um limiar entre ativo e passivo, move e deixa-se mover pela \u00e1gua, tendo como refer\u00eancia as fotografias das hist\u00e9ricas realizadas no hospital Salp\u00eatri\u00e8re, em Paris, durante os experimentos m\u00e9dicos dirigidos por Jean-Martin Charcot.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0as imagens em v\u00eddeo projetadas em <em>O Banho<\/em>,\u00a0realizadas na casa da Dona Yay\u00e1, a maioria delas a partir dos reflexos do solarium de vidro,\u00a0exploram o \u201cinforme\u201d atrav\u00e9s do mimetismo, ou seja, da dissolu\u00e7\u00e3o da distin\u00e7\u00e3o entre figura e fundo. Trata-se de uma alus\u00e3o ao fen\u00f4meno de\u00a0despersonaliza\u00e7\u00e3o por assimila\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o que ocorre em crises esquizofr\u00eanicas, doen\u00e7a\u00a0com a qual\u00a0Dona Yay\u00e1 foi diagnosticada.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica <em>Vest\u00edgios<\/em>, cuja refer\u00eancia s\u00e3o os sambaquis, cemit\u00e9rios ind\u00edgenas pr\u00e9-hist\u00f3ricos encontrados no litoral do Brasil,\u00a0explora tanto a dissolu\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a entre vivo\/morto, via imobilidade, quanto\u00a0o mimetismo, atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o de indistin\u00e7\u00e3o\u00a0entre o corpo da performer e o meio no qual est\u00e1. O corpo se encontra deitado sobre uma plataforma forrada por pedras, recorte de um samabaqui, totalmente\u00a0coberto por areia, im\u00f3vel,\u00a0e ao ser lentamente descoberto\u00a0pelo vento gerado por um ventilador, vai se revelando atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de devires: osso, concha, planta, ancestral, mulher, sambaqui, paisagem etc.<\/p>\n<p><strong>Uma das quest\u00f5es mais evidentes em <em>Vest\u00edgios<\/em> \u00e9 a a\u00e7\u00e3o do tempo. Este e <em>O Banho<\/em> s\u00e3o trabalhos criados em 2010 e 2004, respectivamente. Como o tempo agiu sobre eles? Que sentidos surgem ao revisit\u00e1-los?<\/strong><\/p>\n<p>Sinto que a a\u00e7\u00e3o do tempo sobre <em>Vest\u00edgios<\/em> e <em>O Banho<\/em> ocorreu principalmente no meu corpo, que os performa. Ou seja, atrav\u00e9s\u00a0das\u00a0for\u00e7as dos acontecimentos que incidiram sobre ele e o transformaram. A perda dos meus pais foi o acontecimento\u00a0mais significativo pelo qual fui afetada neste per\u00edodo, e me levou ao\u00a0aprofundamento\u00a0da\u00a0minha compreens\u00e3o sobre a morte. Consequentemente, sobre\u00a0uma das principais quest\u00f5es abordada nessas obras, que \u00e9: como dan\u00e7ar\u00a0o ponto de suspens\u00e3o do o corpo que se encontra entre vida e morte? Outro\u00a0exemplo \u00e9 o que ocorre na instala\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica\u00a0<em>O Banho<\/em>: meu corpo, desde a estreia, em 2004, h\u00e1 15 anos,\u00a0obviamente envelheceu.\u00a0Enquanto\u00a0nas proje\u00e7\u00f5es de v\u00eddeo que comp\u00f5em\u00a0a instala\u00e7\u00e3o ele permanece\u00a0jovem \u2013 as imagens foram captadas em 2002.\u00a0Por esse motivo, quando revisito a obra,\u00a0sinto\u00a0necessidade de\u00a0ressignificar a rela\u00e7\u00e3o\u00a0entre o corpo\u00a0que performa em tempo real e o corpo virtual das proje\u00e7\u00f5es em v\u00eddeo. Novas camadas de sentidos temporais v\u00e3o sendo adicionadas ao corpo.<\/p>\n<p><strong>Sua forma\u00e7\u00e3o e sua trajet\u00f3ria passam por di\u00e1logos com Rudolf Laban e Kazuo Ohno, Christine Greiner e Suely Rolnik, o fot\u00f3grafo alem\u00e3o Hans Bellmer e o cientista Jean-Martin Charcot, que influenciou Freud. De que maneira essa tradi\u00e7\u00e3o e a vis\u00e3o psicanal\u00edtica ou surrealista do inconsciente comp\u00f5em seu pensamento sobre dan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>As experi\u00eancias que tive estudando dan\u00e7a improvisacional\u00a0 com Maria Duscheness \u00a0(introdutora do m\u00e9todo Laban no Brasil) e Kazuo Ohno (um dos criadores do but\u00f4), ambos influenciados pela dan\u00e7a\u00a0expressionista alem\u00e3, como tamb\u00e9m estudando teatro perform\u00e1tico com Lee Nagrin(membro do grupo The House, dirigido por Meredith Monk), entre outros, abriram caminhos para eu compreender e investigar, em meus processos\u00a0de cria\u00e7\u00e3o, o movimento via imagens. As imagens levam a sensa\u00e7\u00f5es e estados sem que seja preciso premeditar o movimento. Kazuo Ohno, depois de discorrer sobre algum tema em suas aulas, dizia: \u201cAgora dancem, n\u00e3o pensem\u201d. Esses estudos tamb\u00e9m abriram caminhos para que eu compreendesse e explorasse maneiras de criar com base em\u00a0material biogr\u00e1fico, ou seja, a partir de\u00a0quest\u00f5es relacionadas \u00e0\u00a0ancestralidade,\u00a0a\u00a0cicatrizes internas, a\u00a0mem\u00f3rias e traumas (individuais e coletivos) que carregamos em nossos corpos. Portanto, a quest\u00e3o psicanal\u00edtica e surrealista do inconsciente est\u00e1 presente no meu pensamento de dan\u00e7a por meio, principalmente, da utiliza\u00e7\u00e3o de procedimentos investigativos que possibilitam o emergir do \u201cacaso\u201d.\u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tanto\u00a0<em>O Banho<\/em>\u00a0quanto\u00a0<em>Vest\u00edgios<\/em>\u00a0partem de um m\u00e9todo de cria\u00e7\u00e3o semelhante, que consiste em realizar extensas pesquisas de campo sobre o objeto investigado. Como esse tipo de experi\u00eancia reverbera nas obras, seja do ponto de vista art\u00edstico e\/ou conceitual?<\/strong><\/p>\n<p>As pesquisas de campo que realizei na cria\u00e7\u00e3o de <em>Vest\u00edgios<\/em> e <em>O Banho<\/em>\u00a0s\u00e3o t\u00e3o parte da obra quanto a performance final. J\u00e1 que, durante as imers\u00f5es na\u00a0casa da Dona Yay\u00e1, que duraram seis meses,\u00a0e nos sambaquis, que ocorreram em cinco etapas (entre 2007 e 2010), a fronteira entre arte e vida foi definitivamente borrada. Meu corpo foi profundamente impregnado por esses espa\u00e7os, e a mem\u00f3ria celular deles passou a constituir meu corpo, reverberando durante as performances. Foi tamb\u00e9m durante essas imers\u00f5es\u00a0que captei as imagens em v\u00eddeo e os sons incidentais que integram as obras e pude visualizar seus recortes espaciais. Portanto, para mim,\u00a0n\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o entre pesquisa de campo e obra. Pois tudo est\u00e1 interligado em um \u00fanico corpo, o da performer.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de rela\u00e7\u00e3o voc\u00ea busca instaurar junto ao p\u00fablico ao propor o confinamento e a (semi)imobilidade como modos de ser do seu corpo nos dois espet\u00e1culos? E qual o papel, nesse di\u00e1logo com o espectador, das imagens projetadas em cena?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O confinamento do corpo em <em>O Banho<\/em> ocorreu como consequ\u00eancia das imers\u00f5es que realizei na casa da Dona Yay\u00e1. Quando estava filmando a passagem do tempo,\u00a0por meio do meu corpo im\u00f3vel na banheira com \u00e1gua, me dei conta de que a performance poderia ocorrer nela. Que a banheira seria um recorte da casa e a sintetizaria como um todo. E que as imagens em v\u00eddeo corresponderiam \u00e0 mem\u00f3ria e ao inconsciente do corpo na banheira.\u00a0O corpo, em <em>Vest\u00edgios<\/em>, fica posicionado em cima de uma plataforma de pedra e coberto por areia; essa ideia de confinamento tamb\u00e9m foi pensada em consequ\u00eancia das imers\u00f5es que realizei nos sambaquis, durante as quais me dei conta de que o recorte de um sepultamento estaria relacionado, segundo a arqueologia, \u00e0\u00a0camada individual contida nos sambaquis, como tamb\u00e9m simbolizaria\u00a0todos os milh\u00f5es de sepultamentos existentes neles. Me dei conta tamb\u00e9m de que as imagens em v\u00eddeo dos sambaquis inteiros na paisagem, captadas em <em>time lapse<\/em>, estariam relacionadas, segundo a arqueologia, \u00e0s camadas simb\u00f3lica e sagrada dos sambaquis. A rela\u00e7\u00e3o que o confinamento e a\u00a0(semi)imobilidade como modo de ser do corpo busca instaurar junto ao p\u00fablico nessas obras \u00e9 ritual\u00edstica. No caso de <em>Vest\u00edgios<\/em>, um ritual de exuma\u00e7\u00e3o de um sepultamento pr\u00e9-hist\u00f3rico, e no caso de <em>O<\/em> <em>Banho<\/em>, um ritual de limpeza e cura em homenagem \u00e0 resist\u00eancia da Dona Yay\u00e1 e das mulheres que viveram ou vivem situa\u00e7\u00f5es semelhantes\u00a0\u00e0 dela.<\/p>\n<p><strong>Seu trabalho evoca muitas vezes, e sobretudo em <em>Vest\u00edgios<\/em>, o desaparecimento do corpo, que se deixa confundir com a paisagem. Essa opera\u00e7\u00e3o \u00e9 curiosa num mundo que estimula a visibilidade constante. Voc\u00ea considera essa atitude uma forma de recusa? Gostaria de falar sobre isso? Por outro lado, identifica nesse processo uma esp\u00e9cie de camuflagem, em di\u00e1logo com os trabalhos de artistas como Ana Mendieta e Francesca Woodman, que exp\u00f5em seus corpos impregnados pela textura do espa\u00e7o?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, eu diria que essa atitude do corpo que se deixa confundir com a paisagem em <em>Vest\u00edgios\u00a0<\/em>\u00e9 uma forma de recusa \u00e0 visibilidade. Para o soci\u00f3logo Roger Caillois, o mimetismo, ou seja, a dissolu\u00e7\u00e3o da diferencia\u00e7\u00e3o entre figura e fundo,\u00a0em algumas\u00a0esp\u00e9cies animais, seria uma opera\u00e7\u00e3o de queda do ego,\u00a0durante a\u00a0qual o espa\u00e7o invadiria\u00a0seu corpo. Segundo ele, essa seria uma opera\u00e7\u00e3o equivalente ao que ocorre em surtos esquizofr\u00eanicos, nos quais a pessoa se torna despossu\u00edda\u00a0e o espa\u00e7o a devora. No caso de <em>Vest\u00edgios<\/em>, eu n\u00e3o\u00a0existo como sujeito. Sou um corpo\u00a0sepultado,\u00a0em um ritual de exuma\u00e7\u00e3o, atravessado por devires. Identifico um di\u00e1logo entre <em>Vest\u00edgios<\/em> e os trabalhos de artistas incr\u00edveis como Ana Mendieta e Francesca Woodman a partir da opera\u00e7\u00e3o\u00a0mim\u00e9tica, ou seja, dos seus corpos como casos de despersonaliza\u00e7\u00e3o por assimila\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 em seu trabalho um desejo de paragem, de aus\u00eancia de movimento, de sil\u00eancio e, no entanto, o corpo est\u00e1 sempre em movimento sutil, trabalhando, mesmo quando h\u00e1 uma aparente imobilidade. Ressalta a import\u00e2ncia de uma consci\u00eancia da respira\u00e7\u00e3o, e de uma precis\u00e3o, tanto em <em>Vest\u00edgios<\/em> quanto em <em>O Banho<\/em>. Qual a import\u00e2ncia da prepara\u00e7\u00e3o corporal em seus trabalhos (h\u00e1 uma prepara\u00e7\u00e3o distinta para cada um?); e, por extens\u00e3o, da sua forma\u00e7\u00e3o nos estudos do corpo, nos seus processos art\u00edsticos?<\/strong><\/p>\n<p><img class=\"size-400 wp-image-5115 alignright\" src=\"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/MARTA-SOARES_JOAO-CALDAS01-400x391.jpg\" alt=\"MARTA SOARES -\u00a9Joao Caldas\" width=\"400\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/MARTA-SOARES_JOAO-CALDAS01-66x66.jpg 66w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/MARTA-SOARES_JOAO-CALDAS01-200x196.jpg 200w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/MARTA-SOARES_JOAO-CALDAS01-300x294.jpg 300w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/MARTA-SOARES_JOAO-CALDAS01-400x391.jpg 400w, https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/MARTA-SOARES_JOAO-CALDAS01.jpg 513w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>A prepara\u00e7\u00e3o corporal possui uma grande import\u00e2ncia nos meus trabalhos, sim. Em especial a t\u00e9cnica <em>hatha<\/em> yoga, que estudo e pratico h\u00e1 cerca de vinte anos. N\u00e3o houve prepara\u00e7\u00e3o distinta para <em>O Banho<\/em> e <em>Vest\u00edgios<\/em>.\u00a0Nos per\u00edodos em que criei os dois trabalhos, pratiquei yoga e bal\u00e9 com influ\u00eancia som\u00e1tica. Minha forma\u00e7\u00e3o variada em estudos do corpo tamb\u00e9m teve uma grande influ\u00eancia na cria\u00e7\u00e3o desses trabalhos. Em especial os\u00a0estudos que realizei de improvisa\u00e7\u00e3o composicional com a\u00a0americana Lisa Nelson,\u00a0que\u00a0tem como foco a desierarquiza\u00e7\u00e3o dos sentidos e o desenvolvimento de uma\u00a0escuta sens\u00edvel do corpo em rela\u00e7\u00e3o ao outro e ao ambiente. E, tamb\u00e9m, os estudos de\u00a0teatro perform\u00e1tico que realizei com a performer e diretora americana\u00a0Lee Nagrin\u00a0e com o dan\u00e7arino japon\u00eas Kazuo Ohno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Marta Soares &#8211; Artista em Foco MITsp Por Julia Guimar\u00e3es, Luciana Romagnolli e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2740,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[40],"tags":[87],"yst_prominent_words":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2738"}],"collection":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2738\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2738"},{"taxonomy":"yst_prominent_words","embeddable":true,"href":"https:\/\/mitsp.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/yst_prominent_words?post=2738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}