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	<title>Manifesto Transpofágico &#8211; MITsp 2019</title>
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		<title>Mão na testa e trans pro frágil  Por Dodi Leal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maducato_admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2019 15:44:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Manifesto Transpofágico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mão na testa e trans pro frágil Crítica do espetáculo Manifesto Transpofágico Por Dodi Leal O que as corpas cisgêneras têm a aprender com as corpas transgêneras? Em Manifesto Transpofágico, Renata Carvalho opera algumas inversões de lógica que abalam a naturalização da cisgeneridade. Mas não só: sublinham a fragilidade da subjetividade cisgênera. As pessoas cis que [...]</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://mitsp.org/2019/mao-na-testa-e-trans-pro-fragil-por-dodi-leal/">Mão na testa e trans pro frágil &lt;h6&gt; Por Dodi Leal&lt;/h6&gt;</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://mitsp.org/2019">MITsp 2019</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3>Mão na testa e trans pro frágil</h3>
<h4>Crítica do espetáculo <strong><em>Manifesto Transpofágico</em></strong></h4>
<p>Por Dodi Leal</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-5103" src="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifestoo-1.jpg" alt="Manifesto Transpofágico" width="886" height="620" srcset="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifestoo-1-200x140.jpg 200w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifestoo-1-300x210.jpg 300w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifestoo-1-400x280.jpg 400w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifestoo-1-600x420.jpg 600w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifestoo-1-768x537.jpg 768w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifestoo-1-800x560.jpg 800w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifestoo-1.jpg 886w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></p>
<p>O que as corpas cisgêneras têm a aprender com as corpas transgêneras? Em <em>Manifesto Transpofágico</em>, Renata Carvalho opera algumas inversões de lógica que abalam a naturalização da cisgeneridade. Mas não só: sublinham a fragilidade da subjetividade cisgênera. As pessoas cis que se estremecem com o protagonismo trans em cena, CIStremecem também enquanto epistemologia dominante de corporalidade. Ao dizermos que um corpo é uma corpa, por exemplo, colocamos em risco as cosmologias sociais fracassadas de genitalização do gênero. A definição de mulheridade não é vaginal; a definição de masculinidade não é fálica. Pau de mulher e vulva de homem são configurações corporais que não se filiam ao temário da diverCISdade: somos pessoas gênero-desobedientes. E, no que se refere à teatralidade, toda sua história cispatriarcal é convocada aqui a reinventar-se <em>de trans pra frente</em>: <strong>do</strong> <strong>TEATRO para a TEATRA</strong>.</p>
<p>Teatra Décima de Almeida veste Prada, bairro Nhaiiii Bibi. Um letreiro com a inscrição TRAVESTI está em cena ao longo de toda a peça e vai mudando de cor conforme a sucessão de lances do texto. A travesti em cena está no alvo de 16 refletores do tipo elipsoidal. A provocação é nítida: o olhar sobre a corpa trans. Quem nos olha? As travestis no público olham a cena. Eu sou uma das travestis do público. A iluminação de <em>Manifesto Transpofágico</em> nos remete diretamente às discussões do meu livro <em>LUZVESTI: iluminação cênica, corpomídia e desobediências de gênero</em>, publicado em 2018 pela Editora Devires, de Salvador/BA. A força lírica da expressão das transgeneridades a partir do potencial performativo da luz ganha na peça algumas incursões experimentais que assinalam a violência do olhar cis sobre nós. Um dos aspectos é o próprio formato do elipsoidal que, sendo um refletor de comprimento de aproximadamente 60 cm dá a sensação de um canhão que atira luz sobre o corpo trans. Diferentemente do que se costuma ver em obras teatrais com o canhão seguidor, aqui os elipsoidais estão em tripés, um deles inclusive colocado no corredor entre cadeiras do público. Em <em>Manifesto Transpofágico</em> a recepção social ao corpo trans é expressa pela luz cênica e um recurso certeiro que se utiliza é exatamente o ajuste fino do refletor que segmenta a visualidade cênica da carne do corpo. Outro recurso é o acender de luzes dos corredores laterais em um momento em que Renata alerta: se você sente instabilidade, desconforto ou perigo de estar diante de um corpo trans, você pode se retirar do teatro.</p>
<p>Na teatra, fazer um manifesto é ter a mão na testa: limpar o suor, segurar-se no contexto de cansaço que a cisnormatividade nos esmaga e, apesar dela, criar-se em cena. Os mecanismos de objetificação e consumo nos quais as transgeneridades se inserem no contexto social nos fazem perceber que nossas teatralidades não hegemônicas gritam: <em>ser transpofágica é também parar de ser trans pros frágeis, os cis.</em></p>
<p>Uma testa que não tem cara em cena. No início da peça o rosto está fora do corte do facho de luz, o texto é expresso da sombra. Se o corpo da travesti sempre chega antes, qual o desconforto causado de se escutar uma travesti sem rosto? Renata, que tem sido amplamente mira de ódio e de censura por sua obra teatral <em>O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu,</em> traz em <em>Manifesto Transpofágico </em>uma nova provocação: “o meu rosto não será necessário aqui hoje”. As perseguições pelas quais vem passando em nada são, ou deveriam ser, questões individuais dela ou de seu trabalho teatral. Ela nos traz verdades sobre a história de qualquer ente. A travaturgia é sim uma elaboração em primeira pessoa que desestabiliza o modelo dramatúrgico tradicional de contar histórias de vidas alheias. Um dos trunfos deste percurso está exatamente na profissão que Renata vem nomeando como <strong>transpologia</strong>: romper com a antropologia clássica que estimula, ainda hoje, processos de apropriação epistêmicos lamentáveis com pessoas cis pesquisando e se beneficiando da história de vida de pessoas trans e, semelhantemente, que pessoas brancas ganhem títulos, prêmios e cargos por suas pesquisas sobre pessoas negras. A transpologia não é a derrocada da alteridade, mas sim sua exponenciação: na medida em que uma pessoa trans pode conhecer-se em profundidade, ela conhece muito melhor e pode ter empatia sobre a condição naturalizada do que é ser cis. A recíproca é verdadeira?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-5102" src="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifesto-1.jpg" alt="Manifesto Transpofágico" width="886" height="620" srcset="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifesto-1-200x140.jpg 200w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifesto-1-300x210.jpg 300w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifesto-1-400x280.jpg 400w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifesto-1-600x420.jpg 600w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifesto-1-768x537.jpg 768w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifesto-1-800x560.jpg 800w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifesto-1.jpg 886w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></p>
<p>Oswald de Andrade é emblematicamente uma referência nevrálgica da antropofagia brasileira do século XX. Vimos em diversas produções artísticas de então as tentativas modernas de “alimentar-se” de referenciais hegemônicos em processos de contra-cultura. Um dos limites deste projeto foi certamente a reincidência do sucumbir à norma   como inevitabilidade da arte. Já a transpofagia do XXI, diante dos nossos olhos, é anticolonial e difere da antropofagia modernista por não pretender apenas o inverso da apropriação cultural: almejamos romper com a norma.</p>
<p>Manoel de Barros disse uma vez que é preciso transver o mundo. De fato, vejo muitos homens cis CIStando este verso. Enchem a boca ao usar o radical trans e colocá-lo na frente de palavras com as quais não combinam como disciplina (ser trans não é ser transdiciplinar, é um<em> ato indisciplinar</em>). A pergunta que fazemos às cis é: pode-se transver o mundo sem transver o próprio gênero?</p>
<p>A cisgeneridade não está acostumada a ser confrontada e acha que sabe tudo sobre nós. E não apenas desrespeitando o gênero de pessoas trans, precisando se explicar o tempo todo sobre suas dificuldades em respeitar-nos. Se o feminismo norte-americano criou o termo MANSPLANNING para se referir aos momentos em que um homem cis toma as dores de explicar o que uma mulher cis supostamente não se fez entender, criamos o termo CISPLICAÇÃO para referir-mos a todo este desastre cínico da cisgeneridade em cisplicar sobre os desrespeitos às pessoas trans. Este é o contexto da luta trans atual que Renata Carvalho tem conseguido traduzir para a linguagem teatral neste <em>Manifesto Transpofágico, </em>bem como em seus outros trabalhos anteriores. Neste, a parceria com Lubi do Grupo XIX de Teatro, é trazida em jogo como pretexto pra falar em ironia sobre uma pessoa cis dirigindo uma pessoa trans em cena: a discussão e o fórum sobre tirar a calcinha ou não como ato final tem um contexto histórico de toda a abjeção que o corpo travesti representa no imaginário brasileiro reforçada pela especulação midiática de programas de televisão dos anos 1980 e 1990. Como o corpo cis reagiria se estivesse neste lugar? Será que nos momentos de improviso Renata quererá quebrar o protocolo e colocar o corpo do seu diretor teatral na berlinda também para o público decidir se ele deve tirar ou não sua calcinha ou cueca? Aliás, queríamos muito ver no futuro Renata ser dirigida por uma pessoa trans e tendo uma obra com a assinatura de uma iluminadora travesti.</p>
<p>Não podemos deixar de dizer que esta é a primeira edição da MITsp em que uma travesti estréia na mostra de espetáculos, Renata Carvalho; que outra travesti atua na produção/logística do encontro, Marina Matheus; e outra, ainda, compõe o quadro de pessoas que elaboram a crítica teatral das apresentações: eu.</p>
<p>Estamos aqui, vivas, fazendo a história da teatra acontecer. Muitas mais virão. Uma delas pode ser você!</p>
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		<title>Um manifesto urgente e necessárioPor Ana Bernstein</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maducato_admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2019 15:42:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Manifesto Transpofágico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um manifesto urgente e necessário Crítica do espetáculo Manifesto Transpofágico Por Ana Bernstein Manifesto Transpofágico, espetáculo solo da dramaturga, atriz, e diretora travesti Renata Carvalho, que estreia na MITsp, confronta-nos com questões cruciais e urgentes sobre a construção social do gênero e, em especial, dos gêneros dissidentes, em uma sociedade cisheteronormativa, na qual o menor [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3>Um manifesto urgente e necessário</h3>
<h4>Crítica do espetáculo <strong><em>Manifesto Transpofágico</em></strong></h4>
<p>Por Ana Bernstein</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-4882" src="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifesto.jpg" alt="Manifesto Transpofágico" width="886" height="620" srcset="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifesto-200x140.jpg 200w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifesto-300x210.jpg 300w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifesto-400x280.jpg 400w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifesto-600x420.jpg 600w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifesto-768x537.jpg 768w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifesto-800x560.jpg 800w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/capamanifesto.jpg 886w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></p>
<p><em>Manifesto Transpofágico</em>, espetáculo solo da dramaturga, atriz, e diretora travesti Renata Carvalho, que estreia na MITsp, confronta-nos com questões cruciais e urgentes sobre a construção social do gênero e, em especial, dos gêneros dissidentes, em uma sociedade cisheteronormativa, na qual o menor desvio da norma é punido com violência (física, emocional, linguística).</p>
<p>O corpo nu da artista protagoniza uma narrativa que é parte autobiográfica, parte antropologia e parte história da corporeidade trans, um discurso ao mesmo tempo pessoal e político, no qual ela se coloca, em suas próprias palavras, como “um experimento, uma vitrine, uma cobaia”. Com o rosto no escuro e o resto do corpo iluminado, apenas de calcinha, Renata nos fala de um corpo que “sempre chega antes, na frente”, independente do sujeito, um corpo que são muitos, em constante processo de sujeição e resistência, de escrutínio, de afirmação, de vida e de morte: corpo bebê/menino/azul &#8211; corpo que a precede -; corpo disciplinado, para aprender a “ser homem”; corpo adolescente; corpo problema; corpo cela; corpo gay, marginalizado; corpo travesti &#8211; hormonizado, bombado -; corpo pornô; corpo patologizado; corpo objeto e corpo abjeto; corpo vergonha; corpo matável.</p>
<p>A história pessoal de Renata é política porque é a de tantas outras travestis rejeitadas pela família, expulsas de casa, obrigadas por vezes a se prostituir, sujeitas à precariedade e à violência, destinadas à morte social. Não surpreende, portanto, quando a ouvimos dizer: “Eu morri”. Mas essa morte opera também um renascimento, a possibilidade de parir um novo corpo, corajosamente construído por ela. “Mudar de corpo é como mudar de casa”, ela diz, com ecos de Lygia Clark, que em 1968 criou a instalação <em>O corpo é a casa</em>. A construção do corpo travesti é examinada tanto do ponto de vista do desejo, da autoestima, quanto dos arriscados tratamentos com materiais industriais, mais populares devido ao alto custo de implantes de próteses.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-4883" src="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifestoo.jpg" alt="Manifesto Transpofágico" width="886" height="620" srcset="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifestoo-200x140.jpg 200w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifestoo-300x210.jpg 300w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifestoo-400x280.jpg 400w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifestoo-600x420.jpg 600w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifestoo-768x537.jpg 768w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifestoo-800x560.jpg 800w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/2manifestoo.jpg 886w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></p>
<p>A <em>travaturgia </em>de <em>Manifesto Transpofágico, </em>a exemplo dos modernistas, devora, digere, assimila e regurgita artisticamente aquilo que foi deixado de fora da história, que Renata apropriadamente nomeia de “transcestralidade”: O <em>Manifesto</em> não só recupera exemplos de travestis famosas como Rogéria, Jane di Castro e Roberta Close, eleita a mulher mais bonita do Brasil, como também denuncia a criminalização, a sexualização e a perseguição institucionalizada às trans. Numa interessante composição visual em que sua imagem, enquadrada como em uma vitrine de sexo privê é justaposta por dezenas de imagens de sites pornôs, Renata põe em evidência a hipocrisia da sociedade que, ao mesmo tempo em que as condena e marginaliza, as explora sexualmente pela prostituição e em sites pornô. Ao som da célebre e preconceituosa marchinha de carnaval <em>Olha a cabeleira do Zezé </em>(1963), ela mostra como as travestis são celebradas no carnaval com bailes próprios, aparecendo em capas de jornais e programas de TV &#8211; apenas um breve e glamoroso interlúdio que encobre a violência no restante do ano, quando as manchetes nas quais aparecem são sempre relacionadas a homicídios, espancamentos, mutilações e outras barbaridades. Se a caça às travestis foi legitimada pelo Estado nos anos da ditadura, com o apoio da população, o Brasil atual segue matando &#8211; não nos esqueçamos que somos o país que mais mata travestis no mundo, fazendo com que a média de vida delas seja de 35 anos. Oitenta por cento das vítimas assassinadas são negras. Situação que nesse momento neofascista que atravessamos vem se agravando de modo bastante preocupante.</p>
<p>Renata ficou nacionalmente conhecida após a censura ao espetáculo <em>O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu </em>e do <em>Manifesto Representatividade Trans Já, </em>de 2017, que critica a exclusão de corpos transgêneros no teatro, mesmo quando as peças encenadas têm personagens trans, reivindicando maior representatividade nos palcos. Com o <em>Manifesto Transpofágico</em>, ela expande essa luta, questionando a cisheteronormatividade de nossa sociedade, não só na nas artes, mas também na forma como se apresenta nas instituições jurídicas e políticas, nas ciências, na linguagem e no cotidiano. Ao expor seu corpo travesti, desnudando-se em público, Renata visa naturalizá-lo, humanizá-lo. Em entrevista sobre o espetáculo (Revista Cartografias MITsp) ela afirma que “é no convívio, e só com ele que poderemos quebrar essas folclorizações que permeiam corpos como o meu.&#8221;</p>
<p>A luta é longa, urgente, e está apenas começando.</p>
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