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	<title>Isto é um Negro &#8211; MITsp 2019</title>
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		<title>Outras Rosas Por Soraya Martins</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Mar 2019 21:50:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Isto é um Negro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Outras Rosas Crítica do espetáculo Isto é um negro?  Por Soraya Martins A peça Isto é um negro?  traz para a cena uma análise crítica-reflexiva e cortante do que é ser negra e negro no Brasil essencialmente racista, mas que bate no peito, orgulhoso, da democracia racial. Traz para o palco identidades historicamente silenciadas e [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3>Outras Rosas</h3>
<h4>Crítica do espetáculo <strong><em>Isto é um negro?  </em></strong></h4>
<p>Por Soraya Martins</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-5047" src="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_6878.jpg" alt=" Isto É um Negro? " width="886" height="620" srcset="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_6878-200x140.jpg 200w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_6878-300x210.jpg 300w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_6878-400x280.jpg 400w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_6878-600x420.jpg 600w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_6878-768x537.jpg 768w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_6878-800x560.jpg 800w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_6878.jpg 886w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></p>
<p>A peça <em>Isto é um negro?</em>  traz para a cena uma análise crítica-reflexiva e cortante do que é ser negra e negro no Brasil essencialmente racista, mas que bate no peito, orgulhoso, da democracia racial. Traz para o palco identidades historicamente silenciadas e desautorizadas a falar. E do que transborda: discute essas identidades para além de uma caixinha de identidade lúdica, que diz das negras e negros associando-os somente ao futebol, à comida e/ou à música, nunca a uma episteme que permita conhecer e explorar outras possibilidades de ser negra e negro no mundo. A peça ultrapassa essa identidade convencionalizada pelo olhar do branco e se revira num jeito outro de afirmação.</p>
<p>Um amontoado de cadeiras brancas no meio do palco compõe o cenário. Quatro atores aparecem e se despem na frente do público. Corpos da negrura em cena para dar início ao desmanche desse amontoado de cadeiras brancas. Me lembrei de Rosa Parks. Em 1956,  Rosa se nega a levantar do banco, dentro de um ônibus, para um homem branco se sentar. Em 2019, as quatro rosas – Ivy, Lucas, Mirella e Raoni- destroem essas cadeiras, construindo, assim como Rosa de 56, um espaço no qual se pode experimentar deslocamentos de imaginários, fissurar e desarticular visões simplistas e reducionistas sobre a negrura.</p>
<p>O que é um negro? O negro é uma invenção do branco. Como coloca Leda Maria Martins, a experiência da alteridade, sob a égide do discurso escravocrata, é a própria experiência de negação do outro, reduzido e projetado como simulacro ou antônimo de um ego branco narcísico, que se crê onipotente. Para fazer uma análise dessa invenção redutora do sujeito branco, encenado como universal, uno e absoluto, <em>Isto é um negro?</em> usa um elemento estético cortante e fundante dentro da proposta cênica: o riso.</p>
<p>A partir do riso, não de um qualquer, mas do riso numa espécie de forma melancólica, no sentido de rir da exposição de uma ferida aberta, o racismo &#8211; passado escravocrata que não passa e que emerge da montagem das cenas com consciência ainda maior de ferida aberta-, os quatro atores discutem sobre as camadas e subjetividades negras. Reivindicam a negrura na sua singularidade e liberdade de ser sem amarras. Discutem as formas de se fazer teatro negro. A arte discutindo a si mesma. A arte como o lugar em que esse riso melancólico se tensiona, buscando criar espaços para microproduções do desejo.</p>
<p>Não existe essencialismo negro, minhas caras e caros. O entendimento torto de que a produção artística negra se associa, como há muito aponta Diego Pinheiro, somente à religiosidade de matriz africana ou a males sociais, lançando muitas produções num folclore estático e histórico, caiu de cotação. Inclusive, as identidades negras são escritas no plural, há várias possibilidades de ser negra e negro no mundo, de ser e estar negra e negro em cena. Pensar a(s) identidade(s) negra(s) e o(s) teatro(s) negro(s) nos obriga a estar disponível, analisar e produzir outras possibilidades éticas, subjetivas e estéticas.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-5046" src="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_7100.jpg" alt="Isto É um Negro?" width="886" height="620" srcset="https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_7100-200x140.jpg 200w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_7100-300x210.jpg 300w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_7100-400x280.jpg 400w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_7100-600x420.jpg 600w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_7100-768x537.jpg 768w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_7100-800x560.jpg 800w, https://mitsp.org/2019/wp-content/uploads/2019/03/IstoÉUmNegro__Foto_Nereu-Jr_7100.jpg 886w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></p>
<p>(Quem segura a mão do outro nessa empreitada?)</p>
<p><em>Isto é um negro?</em> não é só quatro corpos em cena. Estão em cena quatro corpos performativos, pois o que se repete neles são experiências, vivências, conhecimento e saberes em contínuo movimento de recriação, remissão e transformações. Corpos culturais, com memórias vivas e pulsantes, que funcionam como registro daquilo que se sabe, como indivíduo e como grupo, sem ter que recorrer a caracteres gráficos, deixando de lado o artifício epistemológico da necessidade da transcrição das experiências em documentos. Corpos que fabulam. Não a ficção como mentira, mas como a possibilidade de construir identidades, modos de habitar o mundo a partir das íris pretas, de falar/performar, muito mais do que pode emitir palavras: poder existir.</p>
<p>Aqui, o teatro como a possibilidade de inventar novas “armas”, novas poéticas e novas histórias, que trança axé para além do que se pode ver, joga com o singular, agarra nas paredes e atua com astúcia e habilidade na luta antirracista.</p>
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